Quinta-feira, 21 de OUTUBRO de 2021

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Crônica

Gustavo Guedes | O seu ranking

Publicada em 03/09/2021 às 00h| Atualizada em 03/09/2021 às 14h06

Quem acompanha os textos desta coluna sabe o quanto eu sou chegado a teorias. Gosto de como alguns fatos da vida e da personalidade de pessoas podem ser analisadas até atingirem um cerne da questão. Ou de como situações comuns ou extraordinárias acontecem e buscamos analogias e suposições para encontrar um ponto de vista único que poderia explicá-las. Recentemente vivenciei com um amigo meu mais um dia normal em nossas vidas e ele falou algo que fez brotar toda uma nova ideia na minha cabeça.

Preciso primeiro ressaltar que este meu amigo poderia ser skatista ou da turma do futebol, também poderia ser minha amiga, que poderia ser escritora ou professora, tanto faz, o importante são suas características. Ele é dessas pessoas bem críticas de si mesmo, que não tem o costume de dar desculpas, porque para si seriam sempre consideradas falhas, mas é compreensivo e aceita os motivos e pontos de vista dos outros. Meu amigo é muito bom em muitas atividades, mas na de seu maior interesse, ele acha que é muito ruim.

Por exemplo, seria como se ele adorasse pintar quadros e pintasse muito bem, mas conhece tão profundamente a arte e se importa tanto com ela que sempre enxerga erros na sua obra. Um personagem e tanto ele. Enfim, por causa desta peculiaridade, naquele dia normal, ele me fez pensar bastante quando classificou uma grande habilidade sua como se fosse muito abaixo do esperado. E mesmo tendo uma menor para outras, apesar de também demonstrar um certo talento e facilidade, característico da sua persona, julga satisfatório o resultado de um trabalho muito inferior caso fosse comparado com o de seu maior foco.

Eu não entendia como ele falhava em classificar suas habilidades. Até o dia que comecei a entender melhor como funcionava o ranking dele. O seu comprometimento com determinado assunto era inversamente proporcional ao seu posicionamento em relação ao topo da tabela. Para ele, quanto mais comprometido era com algo, melhor deveria ser, por isso, quando o nível de compromisso era muito elevado, seu comparativo era com os melhores e esse é o motivo pelo qual sua análise sempre o leva a conclusão de ser ruim, mesmo no que faz de melhor.

Como nas outras atividades a dedicação foi muito menor, o conhecimento sobre elas é inferior, por isso, por não se importar e não conhecer tanto, ele até se considera bom demais pro meu gosto. Isso eu acho mais normal. É mais comum mesmo pessoas sem muito entendimento sobre determinadas áreas achando que sabem bastante, e se têm algum conhecimento qualquer, acham que sabem tudo. Contudo, ao contrário de alguns vaidosos assim que já afastei da minha vida, que não aceitam os argumentos dos outros, mas sempre têm os seus, não aceitam falhas alheias, mas justificam ou negam as suas, meu amigo é diferente.

Ele incluiu na equação para classificar suas habilidades não só o conhecimento delas, mas também o compromisso dispensado a cada uma. Ele percebeu que juntando os dois, consegue resultados mais satisfatórios e por mais tempo. Ou seja, conseguir algo apenas pelo conhecimento, habilidade ou talento, mas sem compromisso, dedicação ou interesse, permite que algumas conquistas durem um tempo, mas nunca conseguirão se sustentar e serviriam apenas para inflar egos. Ou seja, conhecimento sem compromisso é vaidade.

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Cristiano Abreu

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