Sexta-feira, 03 de JULHO de 2020

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Crise do coronavírus

Imagens: Prefeitura de Viamão | Edição de Vídeo: Guilherme Klamt

Russinho aderiu aos protocolos da bandeira vermelha; Agora, só falta a fiscalização

Publicada em 23/06/2020 às 00h| Atualizada em 30/06/2020 às 16h52

- Alô!

- Boa tarde, queria saber... vocês estão funcionando hoje?

- Assim, a nossa porta está fechada, mas é só vir aqui que atendemos.

- E a tal bandeira vermelha? 

- Não tem fiscal passando, tá tranquilo.

 

A conversa reproduzida acima é parte de um diálogo que tive com o proprietário de uma loja instalada no Centro há poucos minutos. A decisão elogiável do prefeito Russinho em não desobedecer o protocolo de prevenção imposto pelo governo do Estado merece destaque, porém, se a fiscalização não chegar junto, vai ser apenas (mais) uma regulamentação "para inglês ver" na Viamão que não está acostumada a levar leis a sério - da periferia ao Gabinete do Executivo. 

No papel - e no vídeo (confira ao fim do texto) - a Antiga Capital está cumprindo a norma. Mas a coluna recebeu inúmeros alertas de que esta terça-feira (23) parece véspera de Natal nas vilas - com tudo aberto, muita gente circulando e nenhum fiscal.

Acontece que, por estas bandas, vale apenas o que favorece. Há muito que digo, desde a minha primeira passagem pelo Diário, em 2011/2012, que a cidade é loteada por legalistas, democratas e cidadãos que "não passam da página dois", ou seja, só praticam tais conceitos quando esses lhe favorecem. A história é outra quando lhe são cobrados deveres. Nessas horas, acatar leis vira "ditadura".

Pois bem, é dever - legal e moral - entender que as atividades que não estão permitidas com a bandeira vermelha devem ser paralisadas neste momento. O coronavírus não vai embora tão cedo se não pararmos de fato. Não adianta deixar a plaquinha virada com o "fechado para fora" e ficar lá dentro dizendo para os clientes que "é só chegar". 

Não estou afirmando que o comércio é o culpado pela proliferação da COVID-19. Mas é impossível negar que também é parte, mesmo que indiretamente. Por mais que sigam os "cuidados devidos", uma loja aberta inevitavelmente coloca mais gente nos ônibus - a começar pelo trabalhadores -, nas calçadas e, gostem da verdade ou não, nos postos de Saúde e nos hospitais. Sim, hospitais, e na maioria das vezes em Porto Alegre, até os quais boa parte da população vai de ônibus, arriscando, sabendo ou não, outras dezenas de vidas.

Negar o vírus não o faz ir embora mais rápido, é um desrespeito com quem morreu, adoeceu ou trabalha na área da Saúde. Deveria ser crime passível de responsabilização penal. E igualmente para quem faz de conta que está seguindo as medidas de prevenção.

E, se assim fosse, sugerir abrir a "portinha do lado" e seguir trabalhando, como fez o prefeito de Alvorada - um dos mentores de Russinho para assuntos da pandemia - mereceria que tipo de pena? A quem não lê a Rosane de Oliveira, traduzo: Appolo admitiu em entrevista a veículo local que falou a empresários locais que "abriria a porta do lado para atender, se fosse comerciante" e que "a Guarda Municipal não tem função de fechar comércio".

Não sei qual a punição. Talvez, um prefeito que sugere tal desleixo com a vida e os empresários adotantes de tal prática devessem ganhar uma temporada no mesmo tipo de cela que eles bradam a corruptos do colarinho branco.

Todos democratas de última hora!

Falta fiscal em Viamão, mas não haveria carência se a população fizesse sua parte. Também não teríamos comércio fechado se o povo não ficasse zanzando por aí sem extrema necessidade. Nada disso seria necessário. Contudo, amadurecimento social é absorver coletivamente resultados provocados por terceiros. Enquanto o passeio de domingo no Lago Tarumã rolar, e a márcara teimar em ficar no queixo, a atividade econômica pagará o preço pela falta de bom senso da população. 

 

Entenda a bandeira vermelha

 

Na última avaliação técnica do governo do Estado, a região em que se encontra Viamão foi reclassificada para alto risco de contágio do coronavírus e recebeu bandeira vermelha. A análise combina o avanço da doença com a capacidade de atendimento médico. 

Na segunda-feira (22), o prefeito Russinho assinou um novo decreto, de acordo com o modelo apresentando pelo Estado. Antes, contudo, sua equipe de gabinete chegou a discutir prós e contras de contestar a decisão e manter o comércio funcionando.

Você confere as novas restrições clicando aqui.

 

EM VÍDEO

Na noite de segunda, Russinho gravou um vídeo sobre as mudanças causadas pela bandeira vermelha. As imagens são da Prefeitura de Viamão.

Confira:

 

 

 

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