Terça-feira, 20 de OUTUBRO de 2020

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Cadeira de prefeito

Acordão político coloca Nadim Harfouche na Prefeitura e Eraldo Roggia na presidência da Câmara

Publicada em 01/08/2020 às 00h| Atualizada em 07/08/2020 às 14h51

Após uma semana de costuras nos bastidores, o grupo formado por PTB, PSDB, PT, PDT, PP, PSD e PSL venceu a queda de braço, assumiu o comando do Legislativo e a Prefeitura de Viamão. Eraldo Roggia (PTB), primeiro vice-presidente da nova mesa diretora, comandará a Câmara enquanto o presidente Nadim Harfouche (PSL) ocupar o cargo de prefeito em exercício.

Faltava meia hora para o início da segunda sessão extraordinária deste sábado e as composições estavam contando votos. Até o placar de 11 a 0 a favor de Nadim e Eraldo, havia pelo menos dois vereadores indecisos. Coube às direções de seus partidos a pressão interna que manteve o acordo.  

Evandro Rodrigues (DEM), até então prefeito em exercício, chegou cedo - antes das 18h, o primeiro round do dia. Não participou da votação que aprovou a redação final do projeto de resolução que destituiu o comando de Dilamar de Jesus (PSB), mas estava na casa. Conversou, buscou apoio, mas não levou.

A reuinão que abriu caminho para o novo arranjo de poder em Viamão não durou oito minutos e teve acesso restrito - assessores ficaram do lado de fora (exceto os assessores pessoais e o filho de Eraldo). O texto foi aprovado por 11 votos favoráveis, dois contra e seis abstenções. O suplente Tiquino (PTB) não compareceu.

 

Painel com resultado da aprovação do texto que derrubou a mesa na quinta-feira (30)

 

Até às 20h, foi só barganha.

 

A nova mesa

 

Se a primeira foi rápida, a segunda durou três horas. Às 20h07min, o encontro final foi aberto. Evandro, já fora da cadeira de prefeito e de volta ao Legislativo, por ser presidente da Comissão de Constituição, Redação e Justiça, conduziu a sessão - como manda o regimento. De cara, dez minutos de suspensão para conferir convocações dos vereadores suplentes.

O impasse foi formado sobre a posse do suplente Canelinha (PSDB). O lado de Evandro não desejava. Francinei (PSDB) tentou tirar Xandão Gomes (Republicanos) da votação por ser o único a participar por videoconferência.

Evandro usou a tribuna e falou por quinze minutos. Criticou a disputa política pela cadeira do Executivo. 

- O crime que cometi para ser tirado da mesa da Câmara foi ter descido, tomado a decisão de assumir a Prefeitura. Essa destituição é ilegal. Peço ao próximo prefeito que não revogue nenhuma lei que aprovei - defendeu Evandro. 

 

Evandro falou em falta de apoio dos colegas

        

Após a fala, novamente a sessão foi parada. Quarenta minutos em que aconteceu de tudo, incluindo uma indisposição do vereador Fabrício Ollermann (MDB). O parlamentar precisou ser atendido por uma equipe médica e foi removido até a UPA.

 

Veículo de emergência foi chamado para atender o vereador. Ele foi levado até a UPA e passa bem

 

No retorno, Evandro abandonou a sessão. Ele foi seguido de Joãozinho da Saúde (MDB) e de toda a bancada do PSB. Nem chegaram a apresentar chapa para a mesa.

Pelo Regimento interno, Nadim Harfouche, vereador mais idoso, foi chamado a conduzir o trabalho

- Tenho vergonha do que está acontecendo. É um ato (do Evandro), que lamento, em abandonar a sessão. 

Mais cinco minutos de suspensão para consulta ao departamento jurídico.

 

Nadim, no momento em que assumiu a presidência da sessão

 

A votação, em seu momento, não teve surpresa. Nadim e Eraldo encabeçaram chapa única foram eleitos com 11 votos, nenhum contra, nenhuma abstenção e dez vereadores ausentes.

 

A mesa é a seguinte:

Presidente: Nadim Harfouche (vira prefeito de Viamão);
Primeiro vice: Eraldo Roggia (vira presidente da Câmara);
Segundo vice: Maninho Fauri;
Primeiro secretário: Rodrigo Pox;
Segundo secretario Fabrício Ollermann

 

 

Pouco antes da das 23h, Nadim assinou, pela segunda vez em pouco mais de uma semana, o livro de posse como prefeito em exercício.

- Mais uma vez estou empossando Nadim. Tudo dentro da lei. Não como outros, que não respeitaram a Constituição Federal e o regimento desta casa.

- O mais importante agora é agradecer quem vinha trabalhando como secretário. São grupos de pessoas, servidores que prepararam e vêm preparando a cidade. Claro que alguém tem que dar aval, e isso vamos ver lá na frente. Tenho um período curto, porque o mandato é do André Pacheco. Não sabemos o que vai acontecer, mas vamos trabalhar. Trabalhar em harmonia pelo bem da cidade.

 

Bastidores

 

- Surpresa da noite foi o nome de Fabrício Ollermann na mesa como secretário de Eraldo. Parece ter contrariado posição do líder do MDB, Sarico Moura. Resta saber como fica seu ambiente interno na legenda.

- Nadim comprometeu-se a renunciar a presidência caso retorne à Câmara. Nesse caso será necessária uma nova eleição para o cargo.

- Situação delicada viveu o PT nessas semanas, fazendo escolha entre DEM de Evandro e PSL de Nadim. Por volta das 20h deste sábado, surgiu o boato de que Adão Pretto teria sido pressionado a não votar pelo partido que já foi de Bolsonaro. Na verdade, chamou atenção a não neutralidade nesta briga.

- O mesmo vale para o PDT de Guto Lopes e Rodrigo Pox. Às vésperas do embate eleitoral em que apresentava o discurso de via alternativa, tomou lado no arranjo da Câmara ao lado do PSDB de Valdir Bonatto.

- MDB e PSB tentaram oferecer a cassação de André Pacheco como moeda de troca ao PSDB. Mas após os novos fatos apresentados pelo Ministério Público, os tucanos entendem que o fim político do prefeito é favas contadas e ficaram com Eraldo. Evandro nega que o DEM tenha oferecido André nas negociações.

- Restou ao PSB juntar os cacos. Sua bancada fez o que pode, mas o partido terá que arcar nas urnas com o peso de não ter assumido a cidade após a morte de Russo. O discurso de todas as frentes políticas da cidade é culpar Dilamar e a sigla pelo caos político.

- Ficou feio para Evandro o abandono da mesa de forma intempestiva.

- Eraldo agiu em silêncio. E Venceu em silêncio.

- André Gutierres (PP), Armando Azambuja (PSDB) e Francinei Bonatto (PSDB) conduziram as ações em favor de Nadim e Eraldo no plenário.  

 - Se eu tiver uma chance só de apostar, digo que a votação de hoje vai parar na Justiça. 

- Pior fica a imagem da Câmara depois de tanta briga.

- É como disse uma fonte da coluna nessa semana: a eleição começou na segunda-feira (27). E os acordos e as brigas de hoje já refletem nos arranjos de coligações para o pleito.

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Cristiano Abreu

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