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IMAGEM | Movimento RS-118 sem Pedágio/Divulgação

RS-118: Bonatto recebe movimento contra o pedágio; O ’sincericídio’ e o ’não sai na foto’ - Entenda

Publicada em 03/09/2021 às 00h| Atualizada em 13/09/2021 às 11h

O movimento RS-118 Sem Pedágio e Valdir Bonatto (PSDB) ensaiam diálogo. Ainda assim, embora iniciada, esta aproximação não se traduz em apoio ao grupo que tenta evitar o cercamento da Velha Capital por cancelas. Como tucano e empresário, é conhecida a posição ideológica do prefeito.
E os compromissos políticos também.

O encontro na manhã desta sexta-feira (3) no Palacinho entre o chefe do Executivo, a pedido dele, e as lideranças empresariais levou publicamente a discussão sobre o tema para dentro do Gabinete. Participaram o coordenador do movimento, Darcy Zottis, o vice da Federasul Rafael Goelzer, o presidente da CDL Viamão, Milton Pires, o presidente da ACIVI, Luis Pereira, o representante da ASCONV, Flávio Ribeiro, e o vice-prefeito Nilton Magalhães. 

Não "existe mais bobo no futebol", até as formigas que habitam a sombra da borracheira do Centro sabem que a pauta está no radar do tucano desde que o pacote de privatização de rodovias do Eduardo Leite foi aprovado a toque de caixa pela Assembleia Legislativa. Mas por ser do partido, ex-coordenador de campanha e alinhado ao governador, o Prefeito de Viamão adota a postura estratégica de não indicar apoio público - nem a favor, nem contra.

Sigo o relato da reunião. Na sequência, completo o raciocínio.

De acordo com o que foi divulgado por lideranças locais do movimento, Bonatto, logo no início da conversa, deixou que tem debatido o pedágio na RS-118 (Rodovia Mario Quintana) com o núcleo decisor do governo do Estado que, por sua vez, também pretender ouvir o movimento na próxima semana. o Líder do PSDB na cidade também teria dito que "busca pontos de convergências entre as manifestações e justificativas dos que sem opõem a implementação da praça de cobrança e o projeto do governado Eduardo Leite, que só prevê a possibilidade de duplicação e manutenção das rodovias gaúchas com a implementação de pedágios".

Ao Diário de Viamão, o movimento manifestou, mais uma vez, que "é contrário ao pedagiamento na RS-118 por se tratar de uma via urbana, de integração e de escoamento de mercadorias, serviços e mão de obra entre os municípios cortados pela via, e que o impacto de uma praça, principalmente onde está prevista, entre Alvorada e Gravataí, prejudicaria ainda mais o necessário desenvolvimento de Alvorada e de Viamão, dois dos município de menor IDH, estando entre os últimos do RS no índice de renda per capita por habitante".

- Pedágio pode até ser um bom instrumento para investimento em manutenção e duplicação de vias, funciona muito bem em municípios com o desenvolvimento econômico já consolidado, mas não é o caso de Viamão e Alvorada, que carecem de investimentos e atração de empresas. Este é mais um dos motivos pelos quais a CDL Viamão tem se posicionado contra o pedágio na RS-118 - afirma Milton Pires, presidente da CDL Viamão.

Sigo agora com outras informações passadas pelo Miltinho:

 

1.

O Movimento discorda do pedágio nesta via, pois ao considerar que faltam apenas 16 km de duplicação, entende não seria justo para os municípios que margeiam a RS-118 pagarem esta conta pelos próximos 30 anos;

 

2.

Os empresários entendem que, se for o preço para o não pedagiamento, até abrem mão da duplicação (neste momento) para aguardar uma nova possibilidade apresentada pelos governos que virão após 2022;

 

3.

Para finalizar, deixaram acertada uma nova rodada de o que chamaram de "entendimento com o prefeito". A visita será marcada tão logo o RS-118 sem Pedágio seja recebido pelo governo do Estado. Após isso, os empresários esperam a posição pública - e definitiva - do prefeito Bonatto; 

 

4.

Em tempo:

Os Prefeitos de Alvorada, Cachoeirinha, Esteio e Sapucaia do Sul, já se posicionaram publicamente a favor do Movimento RS 118 sem Pedágio e contra praças de pedágio.

 

Bastidores

 

Vou eu daqui:

A portas fechadas, o núcleo duro da Administração considera o tema um "dilema", para ficar no termo usado por uma das fontes do DV. Pressionado por todos os lados, Bonatto tem se movimentado entre o Piratini e as entidades para alinhavar um meio-termo.

Ao governador, o prefeito tucano assinala com apoio para a concessão, mas pediu algumas mudanças para não "apanhar sozinho" da opinião popular local quando se posicionar para além dos corredores da Prefeitura. Aos empresários, tenta se mostrar prestativo - a ponto de convencer o grupo que está "mais inclinado a rebater o pedágio", na fala de uma fonte do movimento.

Como é de sua natureza empresarial e política, Bonatto tenta negociar da maneira mais objetiva possível. Está entre a cruz e a espada, pois enxerga longe. Sabe que não pode abrir mão da duplicação, fundamental para desenvolver a cidade, ao mesmo tempo em que sabe que, do jeito que está, a população será onerada pagando para entrar ou sair da Velha Capital. E como concorrerá a deputado na próxima eleição, não quer perder o apoio de ninguém... de leite ao mecânico da margem da nada poética Rodovia Mario Quintana.
Por isso não quis sair na foto oficial do encontro, que ele próprio convocou, ao lado da bandeira do Movimento.

Na outra ponta, os empresários não querem o pedágio porque é "ruim para o desenvolvimento da cidade" - leia-se seus negócios. Pagar ida e volta para trazer ou mandar matéria-prima e/ou produtos vai ficar bem (mais) caro. Não fosse esse o pensamento, não admitiriam abrir mão da duplicação, como eles próprios revelam num sincericídio ímpar ao divulgar o resultado do encontro de hoje cedo.

Se for para gastar menos no frete, os buracos, as trincas, a falta de iluminação e a ausência de sinalização, que causam prejuízos aos motoristas "comuns" - e tiram vidas - ficarão exatamente como e onde estão.

Me autorizo a pensar ser exatamente esta a lógica produtiva local ao ver que nenhum barulho é feito sobre a RS-040 (Rodovia Tapir Rocha), que também entrou na baila da sanha privatista do Eduardo Leite. O movimento conta com líderes de toda a região, mas é hermeticamente fechado no entorno dos CNPJ registrados às margens da RS-118.
Embora existam representações de diferentes setores.

Repito o que venho lembrando desde os artigos RS-040 volta à iniciativa privada, e isenção a placas de Viamão acabará; Após R$ 400 milhões de dinheiro público, 118 também será pedagiadaGovernador, a RS-118 vai além de Gravataí; Viamão e Alvorada pagaram pela obra, mas só recebem ilusões:

''
Na RS-040, as únicas obras vistas após décadas de concessão são as faixas adicionais até Águas Claras e o viaduto - ambas realizadas pela EGR - empresa pública e que será desmantelada por Leite. 

Na RS-118, nos últimos 20 anos, nós ajudamos a pagar cada centímetro dos 21,5 km de asfalto, passarelas, duas pontes, sete viadutos, canos, tinta, brita, areia, cimento, lâmpadas, reassentamento de famílias, suporte financeiro para empreiteiras e cada uma das placas de sinalização colocadas em Sapucaia, Esteio, Cachoeirinha e Gravataí.  

''

Concluo que ninguém acha justo que Viamão e Alvorada paguem esta conta, mas "só até a página 2". E o resumo é que - seja numa cancela, ou padecendo mais algumas décadas entre buracos e escuridão - é o povo, e somente ele, que pagará esta conta.
Como sempre!

 

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