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Brasília em crise

Valter Campanato | Agência Brasil

Ato antidemocrático de domingo evidencia cisão entre os três poderes

Publicada em 04/05/2020 às 00h| Atualizada em 11/05/2020 às 15h01

O ato de apoio ao presidente Jair Bolsonaro realizado no domingo, em Brasília, reforça a cisão que atualmente ocorre entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Aos gritos de "mito" entoados pelos participantes que exigem o fechamento do Congresso e a volta do AI 5, Bolsonaro desfilou ao lado da filha, Laura, ambos sem utilizarem máscaras. Chamou a atenção a presença de um auxiliar que carregava um mastro com as bandeiras do Brasil, Israel e Estados Unidos.

Em sua fala, Bolsonaro deixou claro que "não vai mais admitir interferências". "Acabou a paciência", concluiu. A declaração se refere claramente ao veto pela nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal (PF). Na ocasião, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu a decisão do presidente. Já na segunda-feira, em uma cerimônia fechada, Rolando de Souza, foi nomeado para o cargo na PF. Souza estava na ABIN, de onde foi deslocado, por indicação do próprio Ramagem.

Em suas palavras Bolsonaro não diminuiu o tom de suas afirmações a respeito de uma possível intervenção militar. "Temos o povo ao nosso lado e as Forças Armadas ao lado do povo". "Peço a deus que não tenhamos mais problemas nessa semana, pois chegamos ao limite", ressaltou. "Daqui para frente a Constituição será cumprida a qualquer preço", concluiu.

Sem utilizar máscaras de proteção, assim como aqueles que o acompanhavam, o chefe do Executivo voltou a criticar veementemente os governadores que impuseram restrição ao comércio devido à pandemia do Coronavírus. Ele os classificou de "irresponsáveis" e destacou que o povo quer voltar a trabalhar, mesmo com os riscos de contaminação. "Infelizmente muitos perderão suas vidas, mas é uma realidade que temos que enfrentar", disse.

 

Reação na Câmara de Deputados e no Supremo

 

O presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, criticou a participação do presidente no ato desse domingo em frente à Esplanada dos Ministérios. Ele cobrou investigações sobre agressões ocorridas a jornalistas durante manifestações. "Minha solidariedade aos jornalistas e profissionais de saúde agredidos. Que a Justiça seja célere para punir esses criminosos". Diante dos pedidos de fechamento do Congresso, Maia transpareceu preocupação a respeito do que qualificou como "vírus do extremismo". O Congresso Nacional deverá durante a semana aprovar Projeto de Lei que obriga a utilização das máscaras em todo território nacional.

As declarações de Bolsonaro também não foram bem aceitas no âmbito do STF. O ministro Roberto Barroso declarou que a violência praticada durante os atos é inaceitável. "São criminosos", declarou. Barroso também demonstrou preocupação diante da evocação das Forças Armadas realizada por Bolsonaro. Para o ministro, "o hiperpresidencialismo" é o causador da friccção entre os poderes. Barroso se manifestou ainda sobre a importância da divulgação do exame de Bolsonaro relativo a possível contaminação pelo Coronavírus ressaltando que em um momento de pandemia gera, naturalmente, um menor grau de privacidade ao presidente, nesse case específico.  

 

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