Quinta-feira, 13 de AGOSTO de 2020

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Claudio Brasil

Em tempos de pandemia, seguro mesmo é paquerar

Publicada em 11/05/2020 às 00h| Atualizada em 10/07/2020 às 17h02

Há algo novo no ar da cidade. Algo trazido pelo vírus e que talvez tenha vindo para ficar. Algo no comportamento das pessoas, homens e mulheres, jovens ou maduros, que cerceados de uma vida íntima amorosa mais intensa, precisam se contentar com o contatos visuais ocorridos durante  os poucos momentos em que se deve andar na rua durante tempos de pandemia.

Os olhares mudaram seu tom e sua frequência. Que triste a sina dos solteiros e das solteiras durante a pandemia, realmente. Mas parece ressurgir uma forma antiga de relação afetiva à distância, a paquera. A troca de olhares está definitivamente mais intensa. Durante o pouco tempo em que as pessoas podem estar mais próximas, os olhares se confluem para que a beleza e a sensualidade possam ser absorvidas.

No supermercado os flertes precisam ser muito rápidos, sem muitas palavras, apenas um relance, às vezes. Pura alquimia. Um jovem e uma moçoila se enamoram. Cruzam seus campos visuais e aproveitam o máximo do momento. Ele segue lentamente as escolher as maças que levará para casa sem tirar o olho dela, que corresponde, com piscadelas, acenando de cílios suavemente. Ele murmura, baixa os olhos para a fruta, mas rapidamente ativa seus sensores. Os olhos brilham, e ela segue ali. E dá de ombros, sem descolar os olhos dele...

Ela ronrona algo sob a máscara colorida, como uma odalisca. Ele abre a boca (pois estava sem máscara e pude notá-lo com meus próprios olhos) e então ocorre o momento mágico. Eles se beijam, com os olhos. E se abraçam à distância. E se  entrelaçam mentalmente. E tudo acaba com um mútuo sorriso. Fecham e abrem lentamente as pálpebras. Assim, em um pequeno hiato de tempo de menos de um minuto, e seguem seus rumos. Combustão instantânea!

Quem sabe quando ocorrerá outra possibilidade de se encontrar em um bar para tomar um café e trocar alguns diálogos e declarações amorosas. Tocar as mãos. Não sabemos. Sendo assim, tudo é tão importante, cada memória visual, cada envolvimento.

E por isso referi a triste escolha dos solteiros e das solteiras. Atualmente as chances de abordar e conquistar uma parceira diminuíram muito para os chamados "predadores sexuais". Por isso a necessidade dos olhares fulminantes, charmosos, definitivos. O "olhar 43" ressurge pelas ruas e mercearias com toda força. Logo os espertalhões estarão usando máscaras com próprio nome e contato de whatsapp. Se ainda não ocorreu, fica a ideia.

Até mesmo o conceito de "sexo seguro", consagrado durante a luta contra outro vírus, o HIV, se alterou. Agora não basta apenas usar camisinha. Em novos tempos "sexo seguro" representa muito menos contato, ou seja, se concretiza por meio do "sexo virtual". É, ele mesmo, de reputação ainda duvidosa entre as pessoas.

Em Buenos Aires, dos tangos calientes, na vizinha Argentina, o governo deixou claro aos solteirões de plantão que nenhuma relação é totalmente segura no que diz respeito à contaminação pelo COVID-19,  o corona vírus. Lá o tom da conversa foi bem mais explícito, tipo: O Ministério da Saúde adverte, a libido pode fazer mal à saúde. Não resisti a imaginar a chamada na televisão.

O infectologista argentino José Barletta declarou, em rede nacional, a importância de evitar  contato com pessoas que não sejam próximas. Destacou a alternativa amorosa das videochamadas. Aventuras agora só por meio do celular. O médico disse ainda que as pessoas devem procurar ter relações sexuais apenas com seus parceiros estáveis. "Evite sexo com desconhecidos", esse é o novo lema por lá. Será o mesmo por aqui? Sugiro que, enquanto a pandemia não passa, permaneçam todos de olhos bem abertos às novas tendências.

 

*As publicações nos espaços de opinião são responsabilidades de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Diário de Viamão.

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