Terça-feira, 22 de SETEMBRO de 2020

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Opinião

Foto: Carolina Antunes | AGÊNCIA BRASIL

Claudio Brasil: Os sete pecados capitais do governo Bolsonaro

Publicada em 25/05/2020 às 00h| Atualizada em 10/07/2020 às 17h

A combinação da exposição do vídeo da reunião ministerial juntamente com a entrevista do presidente Jair Bolsonaro ao início da noite de sexta-feira não é nada menos é do que "combustão espontânea". Como é triste ver ministros e presidente da república com linguajar dos traficantes e delinquentes descritos nos filmes brasileiros. Tantos palavrões contra todos que estavam do outro lado do vídeo, crianças, jovens, adultos e idosos. Se não mudar sua atitude, ficará conhecido como "O Presidente Desbocado".

Não sei qual a opinião de evangélicos e católicos sobre o fato nem qual seria a penitência eficaz contra os sete pecados capitais evidenciados na reunião ministerial de 22 de abril. Pecados capitais sendo evocados por aqueles que buscaram na Bíblia uma plataforma segura de convencimento eleitoral. Abram os olhos diante daqueles que usam o nome de Deus em vão...

 

OS SETE PECADOS CAPITAIS

 

Logo aos 24 minutos me deparei com o pecado da Gula muito bem exemplificado. A esta altura das conversas, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, mostrou seu apetite demasiado em relação aos territórios da Região Amazônica e Terras Indígenas aproveitando a crise sem igual causada pelo Coronavírus  para acelerar mudanças de regramentos e normas. Para "dar de baciada a simplificação regulatória". A Gula, não tem limites, e além da Amazônia, o ministro quer o poder de tratar da Mata Atlântica. "Ir passeando a boiada e ir mudando todo regramento". Calma ministro, vai acabar engasgando.

O pecado da Ira se manifestou em diversos momentos na reunião, mas alguns participantes pecaram de maneira mais intensa, como o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ameaçando usar seu arsenal de 15 armas. Ainda mais irado foi o discurso do Ministro da Educação, Abraham Weintraub. Em primeiro lugar contra o Supremo Tribunal. Em suas palavras, "eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". E Weintruab não conteve sua Ira e a manifestou mais claramente quando afirmou: "odeio o termo povos indígenas, odeio esse termo. Odeio!". Fora as agressões verbais contra o governador de São Paulo e o prefeito do Rio de Janeiro feitas por Bolsonaro. Quanto ódio.  Guardar mágoas é um pecado capital, não esqueçam.

Luxúria foi o pecado colocado em pauta pelo ministro do Turismo. Sorrateiramente, a ideia de "resorts integrados" iria sendo introduzida por Marcelo Álvaro. Jogos, cassinos, mulheres belas. A imagem clássica dos filmes holywoodianos. Contudo, mesmo diante do argumento de "desmistificar", e minimizar o impacto sobre a vida dos brasileiros, a ministra Damares olhou com cara feia e cravou, "isso é um pacto com o diabo". Será caso de exorcismo?

A terrível Avareza trata do amor excessivo ao dinheiro. Esse pecado hediondo ficou personalizado em diversas falas do ministro da Economia, Paulo Guedes. "Nós vamos ganhar dinheiro, usando recursos públicos, para grandes companhias. Agora nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas", declarou. Preparem-se pequenos empresários.

Paulo Guedes, também provou o sabor da Inveja ao citar os Estados Unidos e seu poder de combate à crise. "O Brasil está à frente de todos emergentes e só está atrás um pouquinho do Estados Unidos. Porque é aquele caso do cara que tem a moeda forte, emite um trilhão para cada problema que ele tem e ninguém reclama". Quem dera pudéssemos Ministro Guedes. "Não tenha inveja dos ímpios, nem deseje a companhia deles" (Provérbios 24:1).

Aos 37 minutos, podemos ver a primeira manifestação do pecado da Soberba, um dos mais traiçoeiros, nos olhos do presidente Bolsonaro. Vociferou ele, "vou interferir e ponto final", quando desqualificou os serviços de informações oficiais. Mais tarde, a Soberba ressurge com força. "Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. E isso acabou! Vai trocar, se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não pode trocar o chefe dele, troca o ministro. Quem não aceitar minhas bandeiras está no governo errado". A Soberba nunca é uma boa conselheira presidente.   

E por fim a Preguiça ficou a cargo de todos da mesa ao delegar de forma tão flagrante os problemas ligados à pandemia do Coronavírus para "mais tarde", enquanto vidas se esvaíam. "Vou dormir um pouco, você diz. Vou cochilar um momento; vou cruzar os braços e descansar mais um pouco, mas a pobreza lhe virá como um assaltante", (Provérbios). Prefiro ficar de olhos bem abertos.

 

*As publicações nos espaços de opinião são responsabilidades de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Diário de Viamão.

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