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Crônica

Claudio Brasil: Carta do Homem-Morcego; Ficção ou realidade?

Publicada em 15/06/2020 às 00h| Atualizada em 10/07/2020 às 16h59

O Brasil ultrapassa os 40 mil mortos por Coronavírus sem ministro da Saúde. A ficção, de repente, se funde com a realidade. Por sorte temos nossos heróis para nos auxiliar. Não me resta muito além de acreditar...

 "Muitos acham que vim dos morcegos, mas a história não é bem assim... Apenas me apossei do símbolo que me levava ao pior medo de minha vida. E fiz disso a razão da grande força para vencer  e tentar  salvar minha cidade. Mas, dessa vez, os mesmos agentes de meus pesadelos são o foco principal da suspeita que paira sobre o mundo: a origem do coronavírus.

Venho desde já a destacar que antes de atacar meus "amigos" devemos ter clareza para entender porque a natureza parece estar tomando medidas drásticas para que a população da espécie mais inteligente do planeta Terra esteja diante do desafio tremendo. Sobreviver a um inimigo - um vírus -  um tanto fora dos padrões aos quais estamos acostumados em nossas histórias em quadrinhos que, se materializam noite e dia nos canais de TV, rádios, jornais, sites e etc.

Dessa vez, o inimigo é invisível, se espalha pelo ar e sufoca suas vítimas de forma impiedosa. Até onde, como população humana, teremos ido ao explorar os recursos da natureza para nos favorecer? E talvez nessa pergunta esteja a grande resposta. Devemos aprender com a pandemia, que deverá alterar nosso mundo e nossa forma de interagir de uma vez por todas, para sempre. Somos ávidos e avarentos como espécie, e, por isso, a natureza nos dá um duro golpe.

Para eu vencer os principais vilões, e não foram poucos, utilizei meu medo para me fortalecer. Agora é sua vez de aprender com aqueles que me inspiraram, os morcegos. Diversas pesquisas vêm sendo publicadas a respeito da capacidade desses animais em manter esses vírus em seus organismos. Não discutirei sobre a ciência, até porque ela deve ser a grande balança em nossa relação contra o inimigo de todos nós, o coronavírus.

Na natureza, tão depauperada pela humanidade nos últimos séculos, os vírus existem aos milhares. Mas o que podemos aprender com os morcegos nesses tempos de confinamento? Falo com a propriedade de quem utilizou várias de suas capacidades para livrar minha cidade da escória que a afligia.

Primeiro, ressalto que morcegos são praticamente cegos e faço uma reflexão. Muita coisa que nos é jogada como verdade não passa de imagem vazia. Tanto visual para representar uma evolução lenta e tétrica de pensamentos e ações humanas. Talvez seja o momento de fechar os olhos para toda essa pantomima e nos apegar aos conceitos mais básicos. Concentrarmos no foco. Afastados de todo o interesse financeiro que as grandes redes têm diante de cada reportagem. Cada imagem está custando sua consciência.

Em segundo lugar, gostaria de lembrar que os morcegos desenvolveram grande poder auditivo para poder se localizar em suas caçadas noturnas. É a evolução. E nessa questão está outra verdade para sociedade atual, dividida cada vez mais entre extremos. O paradigma "dividir para conquistar" nunca esteve tanto em moda, e mesmo sendo uma tática bastante antiga, obtém significativos resultados, principalmente em países pobres, sem educação básica e assolados pela corrupção, como minha Gotham.

Quem sabe não está na hora de começarmos a ouvir mais as pessoas. Sua sabedoria simples e ancestral. Destilar por meio do aparelho auditivo o real valor moral de cada "ídolo" ou "indivíduo" que se apresenta para termos clareza do que é bom e do que é ruim.

Ao ouvir as pessoas de sabedoria e sermos abertos a opiniões diversas, poderemos chegar a conclusões conjuntas e a uma sociedade mais igualitária. E justamente por ser mais igualitária, seja também menos violenta. Criando menos criminosos e mais heróis.

E a respeito desses heróis, temos nesse momento milhares deles salvando vidas contra o inimigo invisível por todo mundo. Com seu uniforme a máscara característica. O mito, o legado do Batman, de alguma forma, auxilia a espalhá-los pelo mundo? Me sentiria honrado se isso fosse a verdade, mas seus motivos humanitários vão muito além dos meus particulares. Por enquanto, é o que posso lhes dizer: os morcegos estão nos ensinando uma forma de combater, não apenas o vírus, mas também as razões humanas que nos levam ao momento crítico.

Não preciso ressaltar que muitas vezes esses heróis serão confundidos com bandidos. Passei muito por isso, muitas vezes. E serão perseguidos diante das câmeras de TV e julgados por tribunais criminosos. Um novo estudo da virologista chinesa Shi Zhengli,  já conhecida como Batwoman por seus pioneiros trabalhos com morcegos, vem sofrendo campanhas de perseguição após ser apontada como ´a mãe do demônio´ nas redes sociais chinesas. Mas não importa, pois é o que você faz o que lhe define de fato.

Para finalizar gostaria de dizer que meu desejo era o de estar em  diversos lugares do mundo para auxiliar na prisão daqueles que criminosamente se favorecem ao custo de vidas alheias na pandemia. Mas, como ressaltei, o mundo nunca teve tantos heróis, muito mais capacitados do que eu para o combate contra o coronavírus. Acredito que a humanidade vá sim se reerguer da crise. Afinal, por que caímos? Para aprendermos a nos reerguer."

Ass: Wayne, Bruce

From: City, Gotham

Date: 15/06/2020

 

*As publicações nos espaços de opinião são responsabilidades de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Diário de Viamão.

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Cristiano Abreu

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