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Opinião

Brasil ultrapassa um milhão de infectados pelo coronavírus e ainda não tem um Ministro da Saúde

Publicada em 22/06/2020 às 00h| Atualizada em 10/07/2020 às 16h58

Poderíamos ficar avaliando dados relativos à miséria do povo brasileiro por horas a fio. Os impressionantes números são variados e apontam em todas as direções. São cerca de 100 milhões sem coleta de esgoto, 35 milhões sem água tratada,10 milhões de analfabetos. A "favelização" é outro sintoma crítico dessa miséria. Os casebres nos chamados "aglomerados subnormais" já chegam a mais de 5 milhões. Esse é o país dos "milhões". Não esqueçamos dos "milhões" desviados mesmo durante a pandemia. Quanta miséria eu sinto! Como pode isso?

Entretanto, diante de tantos "milhões" mostrados por pesquisas de institutos como o IBGE, nenhum desses dados é mais assolador do que não poder contar com um simples ministro da Saúde. O tempo urge em salvar vidas, mas há mais de um mês não podemos contar com um médico na pasta que deveria ser ocupada por alguém com essa credencial. Apenas um. O número cabalístico. A unidade. Mas não podemos. Não temos esse direito. Mesmo diante dos assoladores dados de um país que enfrenta a maior crise sanitária da história. Não sou numerólogo, mas acho que os números ajudam a prever o que teremos ainda pela frente.

E é fácil saber o porquê dessa omissão governamental. Simplesmente porque o governo federal julga que somos miseráveis. Das classes A até a Z. Todos miseráveis. Não merecemos um médico. Não merecemos sequer protestar para termos um médico na pasta da Saúde. Esse prêmio é permitido apenas  aos povos que rejeitam a miserabilidade imposta pelos governantes políticos.  Povos maduros para tomar conta daquilo que lhes é mais básico e precioso, como a sua vida e a vida de seus pais e filhos. Mas não para brasileiros. Não fazemos parte desse time.

Voltando ao assunto dos "milhões", passamos o número de um milhão de infectados pelo Coronavírus. Mas ainda não temos um simples ministro da Saúde. O governo segue a par e passo os Estados Unidos. Ele quer para si o recorde de infectados e mortos. Ele quer que os Estados Unidos deixem de ser a nação com maior número de casos. Ele quer que essa coroa seja passada para nós: míseros brasileiros que não têm sequer um Ministro da Saúde. Nem mesmo o Coronavírus é a pauta principal do governo. Um governo sem ministro da Saúde é um governo doente, um governo sem um ministro da Educação é um governo  cego. Atualmente não temos nem um, nem outro...

Os escândalos se repetem no Palácio do Planalto, em uma novela sem fim para tirar o foco das questões centrais: o que fazer para combater a pandemia? O que fazer para combater a miséria? Enquanto isso a população pula de galho em galho, por si mesma, buscando parâmetros próprios. Na sexta-feira, o Ministério da Saúde, por meio da portaria 1.565, de 18 de junho de 2020 estabeleceu "orientações gerais  à prevenção, ao controle e à mitigação da transmissão da COVID-19, e à promoção da saúde física e mental da população brasileira, de forma a contribuir com as ações para a retomada segura das atividades e o convívio social seguro". Quem assina? Ministro da Saúde Interino Eduardo Pazuello, que já admitiu ser leigo em questões técnicas na área da Saúde.   

Por isso, prefeitos e governadores tomam suas próprias ações, demonstrando mais vez desarmonia no que diz respeito aos atos dos governantes brasileiros que nesse momento deveriam estar dançando ao mesmo ritmo a dança da vida. Enquanto o Governo Federal fala em "retomada segura", o governador, Eduardo Leite, e o prefeito, Marchezan, aumentam restrições. Por mais que isso assuste, a verdade é que a cor da bandeira brasileira nunca foi tão vermelha. Vermelha do nosso sangue. Mas talvez ainda nos reste chorar...

 

*As publicações nos espaços de opinião são responsabilidades de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Diário de Viamão.

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Cristiano Abreu

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