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Opinião

Claudio Brasil: A paixão pelo modelo norte-americano e a pandemia no Brasil

Publicada em 06/07/2020 às 00h| Atualizada em 10/07/2020 às 16h57

Todos nós sabemos que o modelo de país admirado pelo presidente Bolsonaro é os EUA. A adoração pela administração Trump é notória. Quem não lembra das cenas com bandeiras norte-americanas nas manifestações a favor do governo, assim como as imagens de Bolsonaro batendo continência diante do estandarte estrangeiro? Pois sim, gosto é gosto, não se discute.

Então não discutirei o gosto dos governistas, mas avaliarei essa predileção diante da realidade que me apavora a cada dia, ou seja, a pandemia causada pelo coronavírus sob o viés do modelo americano. Assim como nos EUA, a ideia central do Poder Executivo brasileiro é de que a doença não tem tamanho poder de letalidade e que muitas medidas básicas, como o uso máscaras, são supérfluas. No sábado, Bolsonaro comemorava a independência dos “vizinhos do Norte” entre amigos. Nas fotos publicadas nas próprias redes sociais nem ele nem seus convidados utilizavam as máscaras, estampando em seus rostos desprotegidos largos sorrisos de satisfação com as conquistas alheias.

O que me interessa, como brasileiro, é saber que o modelo de administração admirado no Brasil não tem tido sucesso em relação à guerra que todo mundo enfrenta hoje, a pandemia. E utilizo a palavra “guerra” porque é assim que sinto. Ao olhar os números alarmantes e saber que o surgimento de uma vacina ainda parece um sonho distante, o que percebo um é combate genocida. Vejo o Brasil sem um Ministro da Saúde, em segundo lugar no ranking mundial de casos, com 1.603.055 infectados, alcançando a marca das 65 mil mortes.

O país modelo do presidente é o primeiro do ranking com quase três milhões de casos confirmados e 129.891 óbitos. Então só me resta me apavorar. Vemos então que a maior potência militar do planeta, conforme os índices do Global Firepower, não está vencendo a guerra. Todo seu poderio armamentista parece totalmente anulado diante do inimigo invisível.

 Assim, os mísseis, tanques e fuzis não parecem mais ter tanta importância. São como produtos antiquados de tempos em que os combates se davam entre trincheiras. E esse cenário já não é mais o mesmo. Embora o elevado número de mortes e a luta pelo poder sigam como sinais claros de uma guerra em andamento, o procedimento atual é bem diferente. Bem mais traiçoeiro.

Sendo assim não consigo ver no horizonte brasileiro, que tenta “xerocar” o modelo norte-americano, muita esperança no que diz respeito ao tão esperado achatamento da curva da infecção. Pois não é assim que tem ocorrido nos EUA, e essa justificativa já seria suficiente para aqueles que acreditam. Mesmo sendo testemunha da derrota dos supermilitares do norte, seguimos sua rota, o que em breve poderá nos levar ao caos.

Ah... as sutilezas da história. Pois temos de ter claro que é justamente uma ferramenta não bélica nossa principal diferença diante dos EUA: o Sistema Único de Saúde. Essa tem sido a muralha de proteção do povo brasileiro diante do colapso. O SUS e seus guerreiros de máscara. Pois é... Nos EUA, o sistema de saúde é totalmente diferente. Considerado muito caro. Lá, são as instituições privadas as principais fornecedoras de atendimento, característica que representaria o apocalipse para um país com os níveis de pobreza do Brasil (ou será Brazil?).

 Então pergunto: apenas copiar as ações americanas nos garantirá proteção nessa guerra? Diante da primeira vacina promissora, Trump garantiu a compra de quase 300 milhões de doses para seu povo, nos deixando a desacreditada cloroquina. Diante dos elevados índices brasileiros ligados ao Coronavírus, os EUA nos fechou portas. Mesmo diante das “puxadas de orelha” do próprio Trump, Bolsonaro prefere segui-lo cegamente enquanto os números seguem crescendo em nosso território. E isso sim me apavora, deveras.

 

*As publicações nos espaços de opinião são responsabilidades de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião do Diário de Viamão.

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Cristiano Abreu

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