Sabado, 19 de SETEMBRO de 2020

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

Opinão

Coluna do Brasil | Triste Dia dos Pais dos 100 mil mortos pelo Coronavírus

Publicada em 10/08/2020 às 00h| Atualizada em 10/08/2020 às 11h17

Esse domingo (9) deveria ser marcado por comemorações, afinal era Dia dos Pais. Um pai representa justamente aquele que dá a vida a alguém. O progenitor. Mas, infelizmente, não foi a criação da vida o marco desse triste Dia dos Pais de 2020. Pelo contrário, a data marcou um recorde de mortes já que o Brasil ultrapassou as 100 mil vítimas do coronavírus.

Busquei forças para emanar vida em meu olhar, mas não fui ator suficiente sequer para convencer minha filha, de 11 anos. Ela logo percebeu minha apreensão ao zapear pelos diferentes canais de televisão que traziam informações sobre os assustadores números do Brasil diante da guerra contra o Coronavírus. Uma guerra que estamos perdendo feio para o ser microscópico.

Enquanto o inimigo invisível mostra seu perfil mortal, os governantes mostram seu perfil boçal, brigando contra dados e estudos científicos diante da pressão do Capital. Flexibilizações incoerentes, o lockdown nunca realizado, a pouca testagem, a insistência em medicamentos com pouca eficiência e a falta de uma política nacional unificada em relação às ações estratégicas que certamente teriam salvado muitas vidas. Vidas de pais e vidas de filhos.

Olhei para minha filha quando ela me perguntou sobre a volta às aulas. Silenciei, fingindo não ter ouvido sua pergunta. O que eu poderia eu responder? Não poderia dizer para ela aquilo que eu pensei, ou seja, que eu sequer gostaria que ela voltasse. Como pai não poderia ser apenas pessimista. Então tergiversei, “assim que a situação melhorar... quem sabe.”

Quanto risco quando as mortes começam a bater às nossas portas. Quando nomes de nossos conhecidos começam a surgir nas listas de mortos ou infectados parece que a presença da doença em nossos lares é apenas uma questão tempo. Entretanto, nas ruas, as pessoas agem como se retomassem a normalidade de sua vida, aglomerando-se em lojas, correndo risco de morte, para comprar presentes em comemoração àqueles que dão a vida, os pais.

Sem um Ministro da Saúde desde maio, o Brasil não oferece muitas esperanças de melhoras significativas em relação aos dados relativos à pandemia. Fiquei constrangido ao projetar o tipo de mundo que a humanidade está construindo para seus jovens, para seus filhos. Um mundo onde nós somos os estranhos. Invasores sendo combatidos pelos reais donos da Terra, os micro-organismos que não conseguimos superar com nosso grande cérebro e nossa lógica.

Diante dos 100 mil mortos havia poucas opções de celebração de um Dia dos Pais empolgante. Estou entre aqueles que acreditam que ficar em casa é a melhor alternativa e foi o que fiz. Fiquei mais uma vez sem palavras quando minha filha questionou-me a respeito do fim da pandemia. Não poderia tirar dela a esperança de voltar a rever seus amigos e brincar pelas praças, rever seus colegas e parentes. Lembrei de que há vacinas em teste e citei algumas possibilidades. “O hospital São Lucas já testa vacina chinesa”. Mesmo respondendo com seriedade consegui fazê-la sorrir.

Fiz o melhor que pude, convidei-a para ver um filme e comer pipocas. Discretamente tentando mudar de assunto. Senti-me aliviado ao retirar dos telejornais que mais parecem filmes de terror. Logo ela me surpreendeu, parecendo ler meus pensamentos. “Que tal vermos um filme de terror pai?”. “É o que estávamos fazendo querida”, pensei comigo mesmo, cabisbaixo diante da mais purificante inocência infantil.

Mas era dia dos pais. Comemos pipoca, brincamos, dormimos, sonhamos e acordamos. Decidi que sequer gostaria de saber mais sobre os números inimagináveis da “hemorragia interna” brasileira. E quando acidentalmente passei pelos sites informativos me deparei com outra bomba. Dez jogadores do Goiás Esporte Clube testaram positivos para Coronavírus, time da Série A do Brasileirão. A partida foi adiada, mas o Campeonato seguirá. Não trouxe para minha filha essa notícia. Ela merecia não saber. “Feliz Dia dos Pais!”, ela enfim me disse. Só então eu consegui sorrir sinceramente.

Últimas Claudio Brasil

Opinião
Coluna do Brasil | Saber votar é conquistar a Independência
Opinião
Coluna do Brasil | Luz no túnel: não podemos entregar a partida contra o coronavírus ’nos acréscimos’
Opinião
Coluna do Brasil | O julgamento imoral e fanatizado de uma menina de 10 anos
Opinão
Coluna do Brasil | Violenta explosão em Beirute traz semelhanças com tragédia na Boate Kiss
Opinão
Coluna do Brasil | Triste Dia dos Pais dos 100 mil mortos pelo Coronavírus
Opinão
Coluna do Brasil | Religiosidade em tempos de pandemia
Opinão
Claudio Brasil | Quem nos dera...
Opinião
Rescaldos da Segunda Guerra invadem a ’América Latrina’
Opinião
Claudio Brasil: A paixão pelo modelo norte-americano e a pandemia no Brasil
Opinião
’Stop Bolsonaro’ ecoa pelo mundo que registra 500 mil mortes pelo coronavirus
Opinião
Brasil ultrapassa um milhão de infectados pelo coronavírus e ainda não tem um Ministro da Saúde
Crônica
Claudio Brasil: Carta do Homem-Morcego; Ficção ou realidade?
Opinião | Claudio Brasil
Olavo de Carvalho proibido para menores de 18 anos
Opinião
Claudio Brasil: Alguém viu um ministro da Saúde por aí?
Opinião
Claudio Brasil: Os sete pecados capitais do governo Bolsonaro
Claudio Brasil
Campanha ’Fique em casa para que eu também possa sair’
Crise do coronavírus
Teich pede demissão do Ministério da Saúde; ’Eu aceitei porque acreditei que poderia ajudar’
Claudio Brasil
Em tempos de pandemia, seguro mesmo é paquerar
Coluna do Claudio Brasil
Bolsonaro segue hesitante em mostrar exame para Coronavírus
Brasília em crise
Ato antidemocrático de domingo evidencia cisão entre os três poderes
Paginas: [1] 2 Próxima »

Cristiano Abreu

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9962 3023
[email protected]

Rafael Martinelli

Editor
[email protected]

Roberto Gomes

Diretor
[email protected]

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS