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Opinião

Coluna do Brasil | Vitória de Biden e a redemocratização da América

Publicada em 09/11/2020 às 00h| Atualizada em 09/11/2020 às 11h08

Os Estados Unidos deram um grande passo rumo à redemocratização da América. O Novo Continente se livrou de um dos líderes mais descaradamente preconceituoso e autoritário. O presidente eleito Joe Biden, do Partido Democrata, ao contrário de Trump (que se elegeu tendo entre suas plataformas erguer um muro na fronteira com o México), traz à Casa Branca um discurso moderado e de conciliação em um país que, assim como o Brasil, passa por um momento de forte divisão política. É bem verdade que a figura caricata de Trump só deverá deixar a casa Branca em janeiro. E, como é de sua natureza, se nega a admitir a derrota. “A eleição está longe de acabar”, declarou em tom ameaçador.

Segundo Trump, Biden apenas está fingindo ser presidente. Com um discurso muito semelhante ao da direita brasileira, acusou a mídia como grande aliada do democrata ao prejudicar “que a verdade seja exposta”. Os Republicanos seguirão tentando mostrar provas de irregularidades que ainda não teriam vindo à tona. Mas a população norte-americana levou muito em consideração as manifestações contra o racismo que tomaram conta das cidades depois da morte de George Floyd por um policial, diante das câmeras. O “Black Lives Matter” entrou na eleição, o que demonstra uma mudança no cenário ideológico.

Nesse aspecto, a Democrata Kamala Harris talvez seja o grande símbolo. Ela é a primeira mulher eleita para o cargo de vice-presidente. Filha de imigrantes, ela sempre manteve em sua trajetória temas atuais como o direito das mulheres. Em seu primeiro discurso depois do anúncio da vitória ela lembrou sua mãe e voltou a dialogar diretamente com as mulheres imigrantes. “Estou pensando nela e nas gerações de mulheres negras, asiáticas, brancas, latinas e indígenas que, ao longo da História de nossa nação, pavimentaram o caminho para o nosso país nessa noite”, disse. Note a diferença de discurso em relação  a Trump.

Mas e aí? E o Brasil? “Alô Brasil, tem alguém em casa?” O Palácio do Planalto preferiu  não se manifestar. O presidente Jair Bolsonaro sempre foi um admirador de Trump, e isso não é novidade para ninguém. Já que Trump não admitiu ainda sua derrota, tampouco seu discípulo teria a grandeza de fazê-lo. Note que  esse tipo de governo ideológico não mede muito as consequências dos atos. Então, mesmo que o Brasil precise tratar com os EUA futuramente, do mesmo modo como precisa hoje, a preferência é por negar Biden e não felicitá-lo pela conquista. Mais um tiro no pé de Bolsonaro.  

Ao contrário, aproveitando o momento político, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, não perdeu tempo. “Parabenizo o presidente eleito e, em nome da Câmara dos Deputados, reforço os laços de amizade e cooperação entre as nações ”, declarou em suas redes sociais. Maia e Bolsonaro travam uma guerra de poder que pode ter mais capítulos a partir dessa atitude. O ex-presidente Lula também  se manifestou declarando que o “mundo respira aliviado com a vitória de Biden”.

Mas engana-se quem imaginar que a política externa norte-americana vai mudar drasticamente em relação aos países da América Latina. Todos sabem que os EUA não abrem mão de sua agenda em relação aos objetivos. E os objetivos traçados para seus vizinhos devem permanecer semelhantes, sendo democratas ou republicanos. Entretanto, já se sabe que a atitude do novo governo americano mudará principalmente em relação ao meio ambiente. Biden já declarou que pretende voltar atenções ao Acordo de Paris, do qual os EUA haviam se retirado formalmente em 2019, por ordem de Trump.

A questão é que o Acordo de Paris tem o objetivo de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças. O que diz respeito diretamente às queimadas realizadas ocorridas na Amazônia e, certamente, à política brasileira em relação aos atos criminosos ocorridos na região. E Bolsonaro terá de lidar com essa diferença por pelo menos dois anos. Então aconselho ao presidente a começar desde já a dialogar com o novo mandatário norte-americano, esquecendo a ideologia um pouco de lado em nome da governabilidade e bem-estar da nação... Será? Duvido.

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Cristiano Abreu

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