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Crise do coronavírus

Restrições mais duras, como fechamento da Orla do Guaíba, valem por 15 dias em Porto Alegre | Foto ANSELMO CUNHA

Mini lockdown de Porto Alegre é prévia para Viamão

Publicada em 09/07/2020 às 00h| Atualizada em 15/07/2020 às 16h18

Do mini lockdown que a Capital decreta a partir desta terça, Gravataí e Cachoeirinha não escaparão. Seja indiretamente, já que não há fronteiras na região metropolitana, ou pela curva ascendente de contágio colocar na bandeira vermelha do Distanciamento Controlado do Governo do RS toda Região Porto Alegre e pressionar por maiores restrições em toda região metropolitana. 

O decreto 20.639 publicado pelo prefeito da Capital Nelson Marchezan que você lê clicando aqui, prevê, entre outras restrições, o fechamento por 15 dias de salões de beleza, academias e Mercado Público, além de proibição para estacionar na Área Azul, interdição de parques, como a Orla do Guaíba, e, a partir desta quinta-feira (9), bloqueio de vale-transporte para trabalhadores de estabelecimentos que não estão autorizados a funcionar.

O susto vem do mapa dos leitos na Região Porto Alegre. O Diário mostrou nesta semana que as UTIs estão lotadas ou perto disso nas cidades vizinhas, e que o Hospital Viamão só tem anestésico para mais uma semana; ’Depois, não sabemos o que acontecerá’, diz diretor. Os números do Estado mostravam nesta quarta-feira (8), uma taxa de ocupação de 73.9%. e quase 8 a cada 10 unidades de tratamento intensivo ocupadas. De 1º de junho até este domingo o percentual de pacientes com COVID-19 em UTIs cresceu de 9.1% para 29.7%. Sábado estava em 29%. No último dia de junho, 24,8%. É a pressão do vírus para lotação nas UTIs.

A grita é grande, como já acontece em Viamão na bandeira vermelha do Distanciamento Controlado fake do Governo do RS. É compreensível comerciantes, meio fechados, e com menos clientes, sofrerem de falta de ar a cada fim de mês perpétuo. Mas o abre-e-fecha é pior! Como traçar um plano sem saber quando a curva da pandemia reduzirá?

Com obvias diferenças culturais e governamentais, o exemplo de que o lockdown funciona é a China, que fechou de verdade, mapeou o vírus, testou os contatos e saiu da crise em menos de dois meses. Nós, e a crítica vale para todo Brasil, não fechamos, não respeitamos as mínimas restrições, não testamos e não temos controle sobre os contatos dos infectados – nem das vítimas fatais.

Para incentivar a trágica volta ao ‘normal’, o auxílio emergencial do governo demorou, o socorro às prefeituras também e o crédito a micro, pequenas e média empresas, como o próprio ministro da Fazenda Paulo Guedes disse neste domingo na CNN, “está chegando agora”.

Tal qual o Diário mostra em artigos como Viamão confirma a 9ª morte por coronavírus nesta semana; São 24 vidas perdidas e 276 casos positivos de COVID-19, é hora de reabrir o comércio? Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que é o líder da maior pesquisa no mundo sobre a presença do novo coronavírus, e que serve de base para o Distanciamento Controlado gaúcho, defendeu no fim de junho “um lockdown rigoroso de 15 dias no Brasil inteiro” como forma mais eficaz e rápida para derrubar a curva de casos e com menos traumas à economia, conforme reportagem de Patrícia Comunello, no Jornal do Comércio.

– Neste momento em que estamos perto ou no pico da contaminação, estarmos com as portas abertas é uma irresponsabilidade – critica na entrevista, onde alerta que o “fecha, abre e fecha" é mais danoso do que fazer um fechamento total, adotado em outros países.

Ao fim, não é torcida ou secação, são os fatos, aqueles chatos que atrapalham argumentos. É o que indica a ‘ideologia dos números’. Infelizmente, nenhum município no Brasil fechou de verdade. Com as quarentenas fake, restam perdidos ‘CPFs’ e ‘CNPJs’. Quando o lockdown chegar, mesmo que mini, e a bandeira preta virá, aguardemos o comportamento de nosso covidiotas.

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Cristiano Abreu

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