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Crise do Coronavírus

Prefeitos Zaffa e Miki com Sebastião Melo na Prefeitura de Porto Alegre em janeiro de 2021 | IMAGEM: Mateus Raugust / Prefeitura de Porto Alegre

Viamão e prefeitos da região querem liberar eventos até 20 mil pessoas; A ’festa da COVID-19’

Publicada em 15/07/2021 às 00h| Atualizada em 21/07/2021 às 16h30

É dos Grandes Lances dos Piores Momentos a proposta encaminhada ao Gabinete de Crise do Governo do Estado por Valdir Bonatto (PSDB), de Viamão, Luiz Zaffalon (MDB), de Gravataí, Miki Breier (PSB), de Cachoeirinha, e os prefeitos de Porto Alegre, Alvorada e Glorinha para a reabertura gradual de eventos até 20 mil pessoas.

Apesar da melhora nos indicadores, temos uma média de duas vidas perdidas a cada 24h, nem 20% da população está vacinada e os municípios não têm condições de fiscalizar o cumprimento dos protocolos, além de em uma semana chegar o inverno – desde antes da pandemia a estação das UTIs lotadas.

Segundo calendário proposto, no período entre 19 de julho e 1º de agosto, seriam autorizados eventos com ocupação máxima de 50% do alvará ou do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) e limite de público de mil pessoas.

Entre os requisitos para realização estariam testagem do público no momento da entrada, agendamento de testagem por grupos e horários diferenciados, coleta de dados para rastreabilidade e autorização prévia da Prefeitura.

Após, até a segunda quinzena de agosto, podem ser liberadas atividades com 50% da ocupação máxima até 5 mil pessoas. A autorização seguiria avançando de forma gradual, com ocupação de 75% e público de 10 mil e, em setembro, chegar a 20 mil pessoas.

A última etapa, prevista para final de setembro, com ocupação máxima de público, exigiria, testagem na entrada ou esquema vacinal completo do público presente, além de autorização do município sede.

– Com a vacinação avançando e a disseminação da doença estabilizada, nos sentimos confiantes, eu e os outros prefeitos, em fazer essa proposta para movimentarmos a economia do setor de eventos e serviços. Tudo está sendo realizado com a máxima responsabilidade, atendendo padrões altos de segurança e, ainda, tendo como principal foco, a manutenção da saúde pública – justifica o prefeito de Gravataí.

Reputo um absurdo.

Por analogia, especialistas também, como mostra a reportagem de Antônio Collar e Luã Hernandez, em GZH O que pensam especialistas sobre a chance de volta de torcida nos estádios na Capital.

– Temos observado uma diminuição dos números de COVID, mas ainda temos números importantes de casos. O número de vacinados ainda é muito baixo. Então, achamos muito prematuro abrir essa possibilidade de volta do público aos estádios neste momento – alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, que entende que o momento é de conseguir uma diminuição no número de casos de coronavírus, o que possibilitaria um alívio para a rede de saúde.

À reportagem, Cunha citou como exemplo países da Europa e os Estados Unidos. A Inglaterra tinha 80% da população vacinada quando começou a Eurocopa. E, mesmo assim, em 6 de julho a OMS informou que os casos no continente subiram em cerca de 10% durante o torneio após mais de 10 semanas de queda nos números.

Infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do RS (UFRGS), Luciano Goldani apontou outro problema a GZH: as aglomerações no entorno dos eventos.

– O grande problema que eu vejo é tudo o que gera o evento. Os bares que ficam em volta, o transporte público que leva gente até lá.

A ‘imunização de rebanho’ só é considerada quando 75% da população está imunizada com as duas doses.

– Ou até mais que isso – alerta Luiz Carlos Dias, professor titular do Instituto de Química da Unicamp, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro da força-tarefa no combate à COVID-19 daquela que está entre as 50 universidades de maior reputação da Terra; que não é plana.

A proposta dos prefeitos da R10, que libera até lugares onde hoje já vale o slogan “O que se faz em Vegas, fica em Vegas”, é tragicômica ao exigir teste da COVID e comprovante de vacina. Para piorar, já há três casos suspeitos da variante Delta, originária da Índia e considerada mais contagiosa, o que motivou o Governo do Estado a antecipar a segunda dose da Pfizer e Oxford/AstraZeneca, como o jornalista Cristiano Abreu tratou nesta semana em Viamão antecipa segunda dose para quem já completou 60 anos e no Abreu & Cast especial sobre a vacina.

Assusta-me também os aplausos de uma cidade que nesta semana discutiu também a liberação do futebol de várzea, com Prefeitura e Câmara que perderam para a pandemia o prefeito Russinho, um secretário e lideranças políticas como Sarico Moura.

Ao fim, como Dr. Stockmann, de Um Inimigo do Povo, de Ibsen, sou crítico ao Sistema ‘3As’ para monitoramento da pandemia, que não é mais do que o sistema de colorir mapinha piorado.

Com os prefeitos fazendo força para acrescentar um quarto A, de aglomeração, resta esperar pela responsabilidade do governador em vetar.

Caso Eduardo Leite (PSDB) aceite, ao menos proprietários de casas noturnas não precisão ‘incluir’ no alvará sanitário a presença de guarda para garantir a segurança de que ninguém vai atrapalhar a ‘festa da covid’.

 

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