Terça-feira, 22 de SETEMBRO de 2020

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Erika Goelzer

Essa tal de psicanálise

Publicada em 03/06/2020 às 00h| Atualizada em 08/06/2020 às 12h34

Este não é o meu primeiro texto aqui no Diário de Viamão. Estou começando devagarinho a compartilhar algumas de minhas opiniões com os leitores. No texto de hoje, resolvi escrever sobre aquilo que está no meu trabalho e na minha alma: a Psicanálise.
Imagino que muitos dos leitores não saibam exatamente do que se trata era área do conhecimento e muitos outros já terão escutados verdades e inverdades. Eis a pergunta: Você sabe o que é a psicanálise?
Não é possível desconectar a história da psicanálise de seu criador, Sigmund Freud. De formação médica, Freud era um neurologista conceituado quando passou a investigar mais a fundo a mente e o comportamento humano. Observador atento e minucioso nos estudos, logo percebeu que uma série de sofrimentos psíquicos não apresentava nenhuma justificativa orgânica.
Inicialmente Freud interessou-se por uma doença comum entre mulheres naquela virada de século. Cegueiras, paralisias, gritos e movimentos involuntários se tornava uma forma de padecimento peculiar sem nenhum tratamento efetivo. A histeria acabava com a vida de mulheres que acabavam internadas em instituições psiquiátricas. Sob o grande nome de neuroses, Freud ainda classificou outras formas de padecimento já não tão exclusivas do público feminino: a neurose obsessiva e a neurose de angústia.
Freud então foi construindo uma teoria em que o sujeito cartesiano, até então orgulhoso de sua racionalidade, não era o senhor de sua própria casa. Postulou a existência do Inconsciente, uma espécie de lugar da mente da qual nada sabemos. Juntamente com a ideia do Inconsciente, Freud afirmou a primazia da sexualidade humana desde as idades mais precoces.
É nessa parte que acontece os maiores equívocos por parte daqueles que fazem uma leitura rasa da obra freudiana. Inundada de expressões como sexualidade, inveja do pênis, Complexo de Édipo e gozo, a obra escrita por Freud faz com que muitos leitores desavisados imaginem uma conotação erótica à teoria. Entretanto o termo sexual utilizado pelo pai da Psicanálise está muito relacionado à esfera afetiva e amorosa. O sexual para Freud não tem a ver com erotismo ou genitalidade. O Complexo de Édipo, por exemplo, utiliza a tragédia grega como metáfora para uma relação de amor e rivalidade entre a criança e seus pais. Discípulo de Freud, Jacques Lacan não é menos polêmico da escolha das palavras e assim as confusões vão se estabelecendo.
A Psicanálise é uma área de entendimento do ser humano que prioriza entender os sujeitos enquanto “um todo” e para tanto busca as raízes do sofrimento psíquico, muitas vezes nos períodos mais precoces do desenvolvimento. Nenhuma vivência particular é descartável. Somos essencialmente tudo o que conhecemos e desconhecemos de nós mesmos, mas com o que tivemos contato em uma das tantas histórias e palavras que nos constituem.
Mais de um século se passou desde a “invenção” da psicanálise, muitas vezes desacreditada por aqueles que procuram saídas mágicas para os sofrimentos. As novas descobertas biológicas, explicações essencialmente cerebrais sobre as dores e aflições psíquicas trouxeram modernas soluções químicas de fácil acesso. No entanto as novas técnicas exclusivamente comportamentais se mostraram incompatíveis com a pluralidade do ser humano e nesses cem anos, muitas surgiram e desapareceram sem deixar vestígios. 
Estudos recentes mostram que a técnica psicanalítica não apenas funciona para a mais diversa multiplicidade de casos (dos mais fáceis aos mais difíceis ou graves), mas é ainda melhor, porque tem resultados muito mais sustentáveis e duradouros.

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