Terça-feira, 22 de SETEMBRO de 2020

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Erika Goelzer

Tristeza em tempos de pandemia

Publicada em 10/06/2020 às 00h| Atualizada em 15/06/2020 às 14h59

Durante os últimos meses muitas pessoas estão experimentando uma ampla variedade de humores e tendo um repertório igualmente variado de expressões afetivas. Solidão, irritação, prostração, ansiedade, tristeza e até mesmo depressão estão entre os sentimentos mais relatados pelos brasileiros que moram no Brasil ou no exterior.

​A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados divulgados pela OMS. No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas e está longe de ser apenas uma tristeza ou o agravamento de uma tristeza. A depressão é uma experiência subjetiva de grande sofrimento, físico e psíquico, e como qualquer outra doença precisa de tratamento.

As pessoas em depressão apresentam perda de apetite e interesse pela vida, sentimentos de culpa, dificuldade para concentrar-se, alterações do sono, diminuição do desejo sexual, dificuldade em terminar coisas que começaram, lentificação das atividades físicas e mentais, pensamentos negativos persistentes e persistentes e pensamentos sobre morte e suicídio. E essas mudanças quase sempre comprometem as relações pessoais, o convívio social e a vida profissional. Porém, para afirmarmos que uma pessoa está deprimida, esses sintomas têm que estar presente a maior parte do dia, quase todos os dias, por quinze dias e não podem melhorar ou ser explicados por algum evento estressor do cotidiano como luto pela perda de uma pessoa querida, perda de emprego, doença grave, etc.

​Não podemos esquecer que o luto é uma resposta emocional saudável e importante para lidar com as perdas. Na psicanálise falamos em “trabalho de luto”, considerando que existe um tempo para que o Eu possa lidar de maneira mais ou menos durável com as consequências de uma perda de algo investido de afeto. Portanto é preciso respeitar os momentos de tristeza ao passar por dificuldades ou perder alguém querido. Seria injusto esperar que alguém que recebeu uma notícia de doença grave não fique triste e passe por um período “baixo astral”. Aliás é exatamente este período que permitirá a cada um elaborar o problema e dar a “volta por cima”.

​As diferentes fases de humor fazem parte da vida e, portanto, farão parte deste momento tão único e diferente. O isolamento social é um estressor capaz de funcionar como gatilho para os mais diferentes sofrimentos psíquicos, entre eles, o luto.

​Estamos vivenciando o luto por tudo que não pode acontecer este ano, por tudo que não podemos vivenciar. Estamos de luto pelo ano que mal começou e logo ficou atipicamente paralisado. Estamos de luto pelos amigos que não vemos. Estamos de luto pelos abraços que não podemos dar. Estamos de luto pelas viagens e passeios que não fizemos. Mas principalmente estamos de luto pela falsa sensação de segurança que gostamos de cativar: nosso emprego não está seguro, nossa família não está segura, nossa saúde não está segura.

A COVID-19 está esfregando em nosso rosto a nossa finitude e a finitude daqueles que amamos. Estamos vivendo um período de perdas diárias e sabemos que aqueles que não vencem esta doença morrem tristemente sozinhos. Como se não bastasse, aqueles que ficam não podem despedir-se ou velar seu ente perdido.

​Freud diz que a morte não pode ser representada em nosso Inconsciente. Ele diz: “De fato, é impossível imaginar a própria morte e, sempre que tentamos fazê-lo, podemos perceber que ainda estamos como espectadores”. A doença causada pelo novo Coronavírus tenta impor a força que tentemos representar a morte. A força de uma vivência como essa pode ser devastadora para o psiquismo.

Mas como lidar com tudo isso? Compartilhando vida: cantando nas sacadas, dançando dentro de casa ao assistir uma live do seu artista preferido, pintando, bordando, criando..., mas acima de tudo admitindo para si mesmo que não precisamos estar felizes o tempo todo. Tudo bem passar por dias com menos motivação. No cenário atual, inadequados são aqueles que negam a gravidade do que vivemos e insistem em tentar viver uma vida como antes.

E se por acaso você perceber que está se encaixando nos sintomas que descrevi acima, procure ajuda. Psicoterapia não é para loucos, psicoterapia é para aqueles que querem viver melhor e mais felizes.

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Cristiano Abreu

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