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Opinão

Erika Goelzer | Cuidar de si faz bem

Publicada em 05/08/2020 às 00h| Atualizada em 05/08/2020 às 20h39

São tempos difíceis. Estamos a mais de 120 dias sob a recomendação de não sair de casa. Poucos são aqueles que tem a oportunidade de trabalhar em home office e tem sua renda familiar minimamente afetada. Para a maioria das pessoas a situação é devastadora. As economias municipal, estadual, nacional e internacional estão sendo fortemente afetadas pela pandemia de Covid-19. O Brasil já vem a meses sendo assolado pelo novo Coronavírus e suas consequências. 

Sobreviver psiquicamente a tudo isso talvez seja tão difícil quanto sobreviver economicamente e organicamente. Nossos amigos e familiares estão adoecendo, nossos amigos e familiares estão quebrando e falindo. Já não há ar mesmo para aqueles que não tem seus pulmões afetados. 
A sensação de impotência impera. Parece que paramos para esperar o Coronavírus passar. Estamos em “stand-by” torcendo para que haja o que resgatar no final de tudo isso. E parece que só nos cabe esperar e ter o máximo de cuidados possíveis. 

E no meio de tudo isso fica difícil lembrarmos de tirar o pijama, de ter cuidados consigo, de se alimentar bem. O autocuidado está ficando de lado em função de todas as outras preocupações que temos.Cuidar de si faz bem e é essencial. Uma autoestima baixa interfere em muitas áreas de nossas vidas, inclusive em nosso sistema imunológico. 

Autoestima é apenas uma palavra técnica para se referir a gostar de si mesmo. Tem a ver com a capacidade de gostar de si mesmo, identificando os próprios pontos fortes e fracos, tendo um orgulho razoável do primeiro e tolerância com o segundo. Ou seja, ser capaz de gostar do que se é realmente. 

O mito de Narciso ilustra a preocupação com a aparência, um amor exagerado a si mesmo. Na Psicanálise o conceito de “Narcisismo” se refere a uma etapa inicial do desenvolvimento psíquico onde o eu do sujeito está em formação. É nesse momento que começa a se construir a forma, própria a cada um, de relação com o mundo. Quem somos e a maneira como nos construímos, tem a ver com essa etapa. Ela fornecerá os recursos pessoais necessários para lidar com conflitos, dificuldades e obstáculos. A fragilidade desses recursos potencializará sentimentos de inadequação, incapacidade, impotência e insegurança que, por sua vez, impulsionarão as pessoas na busca de fórmulas mágicas e soluções rápidas, desprovidas de qualquer crítica. 

Para a psicanálise a autoestima também está intimamente relacionada com os conceitos de “eu ideal” e “ideal do eu”. Esses dois conceitos articulados nos dão uma noção imaginária de que “eu” deveríamos ser, que qualidades deveríamos ter para suprir as expectativas em nós colocadas. Para poder se sentir confortável consigo mesmo, a distância entre o que se é e o que se gostaria de ser deve ser estimulante. É dai que vem expressões como “estar a altura da tarefa”, por exemplo. Porém se colocarmos uma expectativa muito alta, a frustração é constante; se muito baixa, o tédio tomará conta. Quando a autoestima não foi bem construída, é difícil aceitar a si mesmo ou se gostar com as qualidades e apesar dos defeitos.

Uma das questões mais comuns de autoestima tem a ver com a aparência física e o padrão de beleza imposto pela sociedade. Atualmente há uma série de recursos disponíveis para ficar de bem com o espelho. Não há nada errado em querer uma imagem agradável, porém, beleza buscada deve sempre transparecer saúde e espelhar autoestima, pois o exterior muitas vezes reflete o mundo interior. O importante é ter um limite para a energia dispensada com a beleza. A ditadura estética tem provocado uma série de problemas psíquicos gravíssimos. Há pessoas que desenvolvem quadros depressivos e anoréxicos importantes, que acabam por colocar a própria vida em risco. A vaidade não pode ser o motor principal de um ser humano, até porque somos muito mais do que nossa imagem mostra.

Por outro lado, não ter nenhuma vaidade pode ser um sinal de que algo não está bem. Desenvolver uma atitude sensata e crítica para lidar com os conflitos e com as pressões sociais permite uma maior aceitação de si e da própria imagem. A imagem no espelho deve refletir aquilo que cada um deseja e não as convenções de beleza impostas pela sociedade. 

Mas não é só de aparência que se trata autoestima, e sim de tudo que nos faz sentir bem consigo mesmo. Nos sentirmos úteis, capazes, importantes, amados. Podemos estar acima do peso, mas estarmos em dia com nosso sentimento de mais-valia. Um sentimento de alegria e satisfação internos também vem de uma boa conversa, de uma boa leitura, de um momento de meditação, de um momento de brincadeiras com as crianças, etc. Se você está incomodado com as notícias, troque-as por um livro ou por um bate-papo. 

Não esqueça de usar máscara, mas também não esqueça de outras atitudes de autocuidado. Cuide do corpo e da “alma”. Tente se alimentar bem, praticar alguma atividade física (mesmo que seja dentro de casa), cuide da imagem, tire o pijama e faça muitas chamadas de vídeos com seus amigos e familiares! Vamos continuar vivendo da melhor forma possível!!!

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Cristiano Abreu

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