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Saúde da mente

Erika Goelzer | Uma mão estendida no escuro, salva!

Publicada em 17/09/2020 às 00h| Atualizada em 22/09/2020 às 14h34

Setembro é o mês da prevenção ao suicídio. É o mês de falarmos sobre alguns tabus em saúde mental. Uma das maiores causas de suicídio é a depressão, um transtorno de humor comum, recorrente e pouco respeitado. É muito comum que o deprimido seja julgado ao invés de receber ajuda. É comum, ainda hoje, que pessoas bem “letradas” e instruídas minimizem os efeitos de uma vivência aterradora.

Só quem já se deprimiu uma vez sabe o quanto pode ser assustador ser tomado por um vazio sem precedentes. Depressão não é tristeza. Não é de falta de alegria que sofre um deprimido. Pelo contrário, as presentes razões para se sentir amado e feliz apenas não encontram lugar no psiquismo. É como se a porta houvesse se fechado para elas e por mais que as pessoas doentes queiram, a porta não se abre. 

Uma pessoa não vive com depressão, sobrevive. A vida passa a funcionar em tons de cinza e o corpo não tem forças para reagir. A deficiência é química. Sim! É a química cerebral que se altera de forma contundente e o psiquismo vai perdendo a possibilidade de reação. Psíquico e orgânico se misturam e se influenciam, mas ha limites para o psiquismo. Quando o corpo físico trava não há pensamento positivo que salve.

Os gatilhos da depressão são um mistério e mudam de pessoa para pessoa. A depressão chega sorrateira e silenciosa. Ninguém dorme bem e acorda deprimido, mas chega um dia que parece que o corpo sucumbe e as forças acabam. Quem já se deprimiu sabe que o fundo do poço pode ser centenas de quilômetros mais abaixo, que pode ser aonde nenhuma luz ou voz alcança, pode ser tão assustador que pagar com a vida para escapar dele passa a ser uma opção.

Quando estamos de volta ao funcionamento estável e normal percebemos o quanto havia escadas disponíveis, que a escuridão apenas não nos permitia enxergar. No escuro da depressão é como se portas, escadas e janelas não existissem. Para quem está no escuro, pensar que a única saída é a morte não é tão assustador. É preciso ter muitos vínculos com a vida para ter forças de permanecer no escuro.

Não acho que o suicídio é uma boa saída. Claro que não! Mas espero que as pessoas que se sentem iluminadas pela luz e pelo calor da vida entendam o quão solitário e assustador é a vida deprimida. Não ofereça discursos positivamente vazio como ajuda. Ofereça um abraço! Se seu familiar não consegue levantar-se, abra as janelas em silencio e se deite ao lado dele. Faça com que ele perceba que não está sozinho nem no escuro do quarto e nem no escuro da existência. Não julgue, apenas ofereça colo e companhia. Nunca, nunca, nunca diga “você precisa se ajudar” ... Proporcione você a ajuda! Seja a ajuda! Procure um profissional!

A depressão é uma doença a qual ninguém é invulnerável, nem aqueles que acham que são. Genética ou circunstância: não importa a fonte, sua força é desgastante. O deprimido não quer morrer, quer apenas se livrar da dor, do vazio e do escuro psíquico que tornam a vida insuportável. Quando vida e dor se misturam na depressão, fica fácil ao doente confundir alívio e morte.

Neste mês laços amarelos aparecem por toda a parte. Proponho que você abra seu coração e deixe sempre uma flor amarela pendurada na porta em sinal de boas-vindas para aqueles que estão deprimidos. O afeto salva. Ter alguém para dividir o fardo, salva. Uma mão estendida no escuro, salva!

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Cristiano Abreu

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