Domingo, 29 de NOVEMBRO de 2020

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Opinião

Erika Goelzer | A pandemia não acabou

Publicada em 19/11/2020 às 00h| Atualizada em 19/11/2020 às 18h20

Vivemos tempos difíceis. A Covid-19 expõe nossa fragilidade enquanto seres humanos: fragilidade orgânica e ética. O período eleitoral demonstrou de forma clara o quanto os cuidados com a saúde podem ser subvertidos em nome do interesse. Crianças e adolescentes estão a meses sem aula, empresas fecharam, milhares faleceram e candidatos a prefeito e vereadores fizeram campanha como se nada estivesse acontecendo. E o resultado do período de flexibilidade eleitoral foi um grande aumento no número de casos.

No hemisfério norte, a medida que o inverno se aproxima, uma segunda onda de casos vem acontecendo. Nosso aumento acontece em meio a primavera, em que podemos manter janelas abertas e conviver em lugares arejados. A aproximação do verão poderia nos trazer uma trégua no isolamento: bastaria usar máscara, lavar as mãos e tomar cuidados de distanciamento. Entretanto, me impressiona ver imagens de praias e ruas lotadas de pessoas sem máscara. Entre todas as dificuldades que enfrentamos, as pessoas parecem ter escolhido a máscara como grande vilã.

Minha teoria é de que isso acontece porque a máscara é na maior parte uma proteção ao outro: uma gentileza. Quando uso máscara, admito que posso contaminar-me ou estar contaminado por uma doença sorrateira e imprevisível. A Covid-19 continua minando nossa crença irreal de que somos onipotentes. Admitir um possível contágio é admitir uma possível morte. É admitir a possibilidade de entrar para as estatísticas. Admitir um possível contágio, é também admitir colocar as pessoas queridas em risco. Parece mais fácil para algumas pessoas viver na ilusão de que o Covid-19 não é tão perigoso assim. A pessoa que admite a possibilidade de contágio e disseminação utiliza a máscara como uma proteção não só para si mesmo, mas também para o outro. Não utilizar máscara é, de alguma forma, mandar o recado de que a vida do outro não é importante.

Ouvi muitas vezes nos últimos meses que “empatia”e “solidariedade”são as palavras de ordem e o grande legado que a pandemia nos deixará. Não tenho uma visão tão otimista. Claro que sei que há muitas pessoas se dedicando a auxiliar o próximo,  acredito que há bondade no mundo. Usar máscara não causa dor ou prejuízo a quem usa, e ainda assim pessoas  se recusam a usar. 

Quantas vidas se foram por causa de uma máscara? Essa é outra consideração importante: Temos estatísticas sobre mortes por falta do cinto de segurança, por exemplo: Contra fatos não há argumentos. Não é possível compilar dados e estimar quantas mortes poderiam ter sido evitadas pelo uso da máscara. Não poder contabilizar com precisão não significa que não haja um fato. Vivemos tempos difíceis: empatia, solidariedade e ética estão cada vez mais em falta.

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Cristiano Abreu

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