Quinta-feira, 21 de OUTUBRO de 2021

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Opinião saudável

Erika Goelzer | A infância não pode esperar

Publicada em 19/03/2021 às 00h| Atualizada em 19/03/2021 às 18h44

Escrevi no ano passado um artigo direcionado aos pais e familiares das Escolas Lápis de Cor, da qual sou parceira. Passados muitos meses, de novo (ou ainda) estamos com aulas suspensas e com as crianças estudando em casa. Ainda que esta não seja a situação ideal, é o que “a casa oferece”.

Como mãe, sei de toda a dificuldade de conciliar todos os compromissos exigidos em home office. Como profissional, tenho convicção de que as crianças não podem esperar a pandemia terminar para seguir com seu desenvolvimento. Precisamos proporcionar o melhor possível para nossas crianças. Decidi, então, reciclar o texto antigo e compartilhá-lo com vocês.  Espero que seja útil e ajude mais famílias a se organizarem!

“Uma criança nunca é igual a outra. Algumas desde cedo torna-se independentes e gerenciam por conta própria as tarefas escolares, outras precisam de um “empurrãozinho”. Não há “receita de bolo” na hora de criar filhos. Tudo o que funciona com um as vezes não tem o menor efeito com outro.

Muito se engana quem pensa que a angústia e agitação das crianças é apenas por tédio e falta (ou excesso) de tarefas. As crianças percebem o que está acontecendo e precisam de calma e paciência tanto na hora das atividades como para lhes explicar a realidade atual. São os adultos os responsáveis por manter a ordem. As crianças confiam nos pais para a segurança, tanto física como emocional. Quando uma criança vê seus pais, tios, avós conversando preocupados com as diferentes crises que o novo coronavírus trouxe, por exemplo, ela se abala.

Essa situação difícil que estamos vivendo interferem diretamente no rendimento escolar, tanto para as crianças que ainda estão sob isolamento quanto para aquelas que já experimentam uma reabertura segura da cidade que mora. Já estamos a um tempo demasiado prolongado para as crianças estarem fora da escola e da rotina. É cada vez mais importante que o foco possa ser colocado em manter a consistência, um mínimo de rotina e estrutura para os pequenos e para os nem tão pequenos.

Há diversas formas para organizar melhor a rotina infantil em casa, mas é preciso deixar claro que nenhuma faz efeito da noite para o dia. É a consistência que transforma o caos em uma rotina estruturada, sem ser autoritária. Umas das possibilidades e, talvez, a mais efetiva é a criação de um cronograma e a comunicação de expectativas e regras claras sobre coisas como o tempo da tela, por exemplo. Há inclusive aplicativos que ajudam nessa combinação, pois avisam quando o tempo acabou e até travam o aparelho.

Mas como ajudar os filhos a se organizar na rotina ou no cronograma sem crises de birra, gritos, explosões e teimosias? Como psicóloga, tudo que li e estudei a respeito seguem as mesmas diretrizes que vou compartilhar abaixo:

1. Envolva as crianças nas definições do cronograma e horários:
Quando as crianças participam da criação das regras e agendas, tendem a aceitá-las e segui-las. Faça uma solenidade! Marque uma reunião de família. Demonstre que a opinião da criança será levada em conta, mas não necessariamente acatada. Ouça os argumentos e explique o porquê se houver impossibilidade. Pergunte coisas como a que horas todos deveriam sair da cama e se vestir, quando os intervalos dos trabalhos escolares funcionariam melhor e onde cada membro da família deveria estar durante o tempo de estudo.

Pode haver diferenças de opinião. Os pais podem negociar com os filhos para que pelo menos algumas das ideias sejam adotadas. A resolução de conflitos é uma habilidade importante para as crianças aprenderem, e elas aprendem melhor com seus pais.

2. Permita às crianças alguma escolha
O trabalho escolar deve ser realizado e as tarefas precisam ser concluídas, mas ter alguma escolha sobre como elas são realizadas pode ajudar as crianças a se sentirem menos pressionadas e coagidas, o que prejudica sua motivação.

3. Ouça e forneça empatia
As crianças estarão mais abertas a ouvir o que precisam fazer se sentirem que suas próprias perspectivas são entendidas. Comente com a criança que você a entende, por exemplo, que não é divertido estar em casa e que ela sente falta de estar com os amigos.

4. Forneça razões para as regras
Quando os pais fornecem razões para pedir algo, os filhos podem entender melhor a importância de agir de maneiras específicas. Explique de forma que a criança entenda o motivo. “Porque não” e “porque sim” não tem sido a melhor estratégia para lidar com as crianças. Ajude que ela entenda que precisa haver tempo para tudo. Por exemplo, explique que dividir as tarefas da família ajudará todos a ter mais tempo para atividades divertidas depois do jantar.

5. Resolução de problemas juntos
Nem tudo vai correr conforme o planejado - haverá momentos de frustração, irritação e gritos. 
Por exemplo, um pai ou mãe pode dizer: “Você sabe como eu tenho incomodado você acordar de manhã? Provavelmente é realmente irritante ouvir a primeira coisa de manhã. O problema é que, apesar de termos decidido que todos iríamos acordar às 8 da manhã, você não está saindo da cama. Vamos juntar nossas cabeças para ver o que podemos fazer para tornar o horário da manhã mais tranquilo. Quais são as suas idéias?

Todas essas estratégias exigem tempo e paciência - algo que é difícil de encontrar em momentos de estresse. As pesquisas tem mostrado que os pais têm mais probabilidade de gritar, exigir e ameaçar quando o tempo é limitado, estão estressados ou preocupados com o desempenho de seus filhos.  Por iss, encontre tempo para cuidar de si mesmos também - seja lendo, se exercitando, meditando ou escrevendo em um diário. E o mais importe, dê exemplo, cuide de si.”

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Cristiano Abreu

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