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Opinião

Moisés Mendes | As milícias podem avacalhar a eleição e derrotar as instituições?

Publicada em 03/11/2021 às 00h| Atualizada em 03/11/2021 às 08h14

AS MILÍCIAS PODEM AVACALHAR COM A ELEIÇÃO E DERROTAR AS INSTITUIÇÕES?

Muita gente em Brasília sabia que o general Fernando Azevedo e Silva era sabedor de que não haveria como Bolsonaro liderar e executar um golpe.

O general sabia tanto que cansou dos blefes do sujeito, deixou o Ministério da Defesa e foi embora com os chefes das três armas, que também sabiam.

Sempre souberam em Brasília que Bolsonaro sabia que uma hora o blefe do golpe iria se esgotar, como se esgotou depois do 7 de setembro, quando teve de escrever a cartinha com o pedido de trégua a Alexandre de Moraes.

Mas agora, já sem a ameaça imediata de golpe, fica complicado encontrar quem saiba que Bolsonaro não tem como esculhambar com a eleição do ano que vem.

Não só tumultuar, empastelar e complicar a eleição, desde muito antes do início da campanha até o resultado final, mas avacalhar mesmo, como Trump fez quando perdeu para Joe Biden.

Não há quem seja capaz de assegurar hoje que Bolsonaro, os filhos, as milícias e até os militares serão contidos, principalmente quando perceberem que a eleição estará perdida e decidirem agir.

Está embutida nessa dúvida a interrogação maior, não sobre a capacidade de avacalhação da democracia pela extrema direita, mas sobre a solidez da estrutura de defesa das instituições e do sistema eleitoral.

Quem pode garantir que TSE e STF têm trincheiras técnicas e políticas para suportar a formação de um ambiente de caos, principalmente na delicada fase de apuração da eleição?

É a apuração o alvo de Bolsonaro. Até um aprendiz de hacker sabe com que armas o bolsonarismo vai jogar. Dá para prever muito mais do que fake news, difamação e disseminação de medo.

Está em construção um cenário de bagunça generalizada, que terá seu ponto alto no dia da eleição. O bolsonarismo tentará transformar a eleição na maior confusão já vista na democracia brasileira.

O chamamento para o caos irá mobilizar as bases do fascismo, acionar ‘dúvidas’ que a classe média antiPT já programou, tumultuar sessões de votação e, na hora da apuração, espalhar todo tipo de ‘notícia’ e de ‘provas’ sobre fraudes nas urnas.

Uma rinha de galos, reunindo as mais inimigas e violentas facções de traficantes, pode ter menos desordem do que a ameaça real à eleição de 2022.

Os delitos ditos virtuais, esses que foram denunciados contra a chapa Bolsonaro-Mourão, julgados e arquivados pelo TSE, serão apenas parte da operacionalização dos mecanismos do caos.

Sim, se sabe que Alexandre de Moraes alertou que chapas identificadas com a produção de fake news serão cassadas e que agora os envolvidos irão para a cadeia. É uma ameaça com um detalhe que apenas parece irrelevante.

O detalhe é este: ao contrário do que aconteceu em 2018, os fabricantes de mentiras sabem que agora se encaminham para uma derrota que pode ser de goleada.

A ameaça do TSE, de que a punição vale daqui pra frente, significará pouco ou quase nada com Bolsonaro derrotado.

Vão cassar a chapa e prender quem do gabinete do ódio, se o TSE ficou dois anos com o processo contra a chapa Bolsonaro-Mourão para, no fim, dizer que não obteve provas suficientes para a cassação?

Não achou as provas da autoria, mesmo encontrando indícios dos crimes e sabendo da existência do gabinete do ódio, e não encontrou evidências de que Haddad pode de fato ter sido prejudicado.

Se não achou agora, depois de tanta demora (e sem a colaboração do Supremo no compartilhamento de informações e de provas), como vai achar e prender, com ações instantâneas, em 2022?

Quais são as garantias de Alexandre de Moraes de que, no comando das eleições do ano que vem, não irá tolerar os crimes de 2018?

Noticia-se, como novidade mais recente, que o blogueiro Allan dos Santos e outros enquadrados pelo Supremo burlam os controles da Justiça e usam o Telegram para continuar dizendo o que sempre disseram, que são perseguidos políticos.

Segundo o Estadão, há conversas permanentes entre eles, que continuam disseminando mentiras e ainda fazem arrecadação de dinheiro, sem medo de nada.

Isso significa apenas que não deixam de agir com ações banais, facilmente monitoradas, poucos dias depois do pedido de prisão de Allan dos Santos, que nunca acontece.

Se essa é a situação hoje, o que pode ser feito na eleição para que que as milícias temam as advertências de Moraes e desistam de ações reais, e não apenas virtuais?

O que o TSE tem para atemorizar o bolsonarismo? Até agora, tem o vozeirão de Moraes e as reticências dos outros ministros.

Reticências com muito mais do que três pontos. O bolsonarismo conta com os reticentes, que livraram a chapa Bolsonaro-Mourão, para dizer que pode avacalhar com a eleição.

 

Texto publicado originalmente no blog do Moisés Mendes:

https://www.blogdomoisesmendes.com.br/as-milicias-podem-avacalhar-com-a-eleicao-e-derrotar-as-instituicoes/

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Cristiano Abreu

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