Sexta-feira, 18 de JUNHO de 2021

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Crônica

O mundo de Alice | Viver é uma maratona - o significado da corrida em minha vida

Publicada em 10/05/2020 às 00h| Atualizada em 17/05/2021 às 21h59

Um dia estava me sentindo muito ansiosa, não sabia o que fazer, se deitava ou se rolava no chão. Não sabia se ria, se chorava ou se gritava. Fazia muito calor e os pensamentos acelerados me consumiam, sentia-os percorrendo meu corpo inteiro como uma onda de choques elétricos, uma angústia interminável.

Então, me ocorreu de sair para caminhar, sem pretensão alguma. Estava de chinelo e vestido, peguei a chave, fones de ouvido e fui para a rua. Sem direção, o meu único desejo naquele momento era de acalmar meu peito, que estava em chamas, implorando um porto seguro em que pudesse descansar. A ansiedade é assim, engole a gente.

Caminhei por alguns bairros, e de repente tive vontade de ir à Igreja Matriz. Lembro de que o meu intuito era encontrar um lugar de paz, e que estivesse um pouco mais fresco. Sentei-me num dos bancos longos de madeira, observei uma moça que limpava o chão naquele dia. Então, algo divino aconteceu... Uma borboleta. Mas não era uma borboleta voando, perdida por ali ou apenas passeando. A borboleta estava no banco da frente, no lugar onde colocamos as bíblias na missa. Ela era laranja e estava parada, não pude acreditar quando pousei meus olhos nela. A olhei e soube que ela estava ali para mim.

Nunca me questionei se era Deus se manifestando na borboleta, um espírito ou um anjo. Acontece que depois daquele dia, tudo mudou na minha vida. Não me converti ao catolicismo, se é o que você está pensando, mas bem que poderia ter sido. A partir daquele dia, percebi que precisava de um refúgio para acalmar meu peito nos dias difíceis, um momento só meu. Um momento para descansar, arejar os pensamentos dilacerantes. Reparei no que tinha feito para me acalmar, relembrei meus passos e enfim descobri: caminhar.

Depois desse episódio, comecei a sair para caminhar todos os dias, no início eu saia de all star e casaco amarrado na cintura. Sem rumo, apenas seguindo meu coração. Logo passei a dar alguns trotes, e consequentemente: a corrida.

Descobrir que eu podia correr por esporte em benefício próprio, foi o ápice da minha vida. Na escola, sempre fui a aluna que inventava a tal da dor no dedo do pé só pra não ter que fazer educação física. Hoje em dia, se passo dois dias sem a corrida, sinto que estou perdendo os sentidos.

A corrida é uma conquista de vida, o esporte se tornou um aliado íntimo, um amante e um melhor amigo. Nunca vou esquecer do dia em que tudo começou, porque lembro da sensação de não conseguir respirar, a sensação de falta de controle sobre a própria vida. O esporte me devolveu a disciplina que eu pensei que não tinha, me trouxe energia e motivação para os dias difíceis. O esporte me trouxe a garra que eu não conhecia, a competitividade e o que eu mais necessitava: a paz.

Correr me ajuda a pensar e a organizar minhas ideias. Meu pai é professor de educação física e meu treinador número um. Ele sempre me disse que quando a gente corre, tem que deixar nossos demônios pelo caminho. E isso resume a minha relação com a corrida, pois encontrei nela o refúgio que eu tanto buscava. E melhor ainda, posso fazer sozinha e com minhas próprias pernas... o meu corpo me proporciona tamanha realização pessoal.

Aqui deixo uma dica, um conselho de amiga ou apenas um comentário bastante comprido: busque algo que faça você se sentir capaz de tocar o céu, encontrar o seu refúgio. Invista essa procura em algum esporte, mesmo que você pense que essa não é a sua praia. Eu também me sentia assim e hoje sou suspeita para falar. Pense nisso, não existem contraindicações quando o assunto é a sua qualidade de vida.

Com amor e carinho, Alice.

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Cristiano Abreu

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