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Crônica

O mundo de Alice | Caixa secreta: nós mesmos, nossos desejos e anseios

Publicada em 31/05/2021 às 00h| Atualizada em 31/05/2021 às 13h28

Você está em casa e ouve alguém bater na sua porta, primeiro de leve e depois com mais força. Aparentemente é alguém que deseja muito entrar, uma visita que inesperada para você, afinal você não estava esperando uma companhia justo na segunda-feira.

Você fica imaginando quem deve ser, apreensivo com as batidas que se intensificam. Um ladrão? Mas um ladrão não pede para entrar. Será a história de Jesus Cristo que bate a porta do seu coração se materializando? Ou então pode ser o amor da sua vida vestido de branco, com um cavalo branco e uma proposta irrecusável, não?

Então, você reúne sua coragem e força, e finalmente levanta para atender a sua visita. Ao olhar para ela você não acredita no que vê, seu coração pula e a voz não sai: Quem está á porta é a sua cópia, como se você estivesse se vendo no espelho e a única diferença entre vocês é que este estranho indivíduo está segurando uma caixa nas mãos.

Você deixa-o entrar porque sente que não tem escolha, esfrega os olhos para saber se não está sonhando, se está realmente acordado. O seu outro eu, senta-se no seu sofá e lhe entrega a caixa que trouxe. No entanto, você se sente ainda mais confuso e não compreende o que deve fazer.

Você sente que a caixa está extremamente pesada e parece sair algum tipo de som dela, risadas e lamentações abafadas. Você fica intrigado com aquele misticismo, a mistério por traz daquele acontecimento. O que contém nessa curiosa caixa que foi trazido pelo seu próprio eu?

Então, com desconfiança e medo você abre a caixa. E de repente, a sala se preenche de falatórios ininteligíveis, sol e chuva bem ali na sua sala. Luz e sombras, se mesclando e se misturando, na medida que você olha. Você se pergunta: O que é tudo isso?

Então, o indivíduo ao seu lado, olha para você e diz: Tudo isso, somos nós.

Desejos, medos e inseguranças. Alegrias e contentamentos. Sonhos e planos, nem todos realizados, nem todos satisfatórios.

Você fica ali na sua sala, sentado e consternado. De frente para você mesmo, do seu próprio lado, contemplando tudo o que você é. Todo o caos e a ordem que apenas você tem conhecimento. Tudo que existe dentro de você, o interno, o que está dentro da caixa.

De repente, você se vê questionando qual foi a última vez que olhou para tudo o que habita o seu mundo, o modo como a sua mente e o seu corpo reagem aos acontecimentos. Você se pergunta quando foi a última vez que atendeu um desejo profundo do seu coração, a última vez que trabalhou na realização de um projeto importante.

Você se pergunta quando foi a última vez que gargalhou até doer a barriga, ou chorou até sentir-se livre.

Você se pergunta quando foi a última vez que deixou sua própria companhia entrar, quando foi que convidou o seu corpo para ficar a sós. Quando foi que nadou com a sua própria imagem até o mais profundo do oceano, mesmo que te falte ar, mesmo que fique denso e ainda assim, belo.

Quando foi a última vez que você se deixou entrar?

Com carinho, Alice.

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Cristiano Abreu

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