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Crônica

O mundo de Alice | Viamão & meio ambiente: bituca de cigarro não é semente, papel de bala não vira flor

Publicada em 05/07/2021 às 00h| Atualizada em 05/07/2021 às 19h18

Gostaria de me sentir mais poética no dia de hoje para falar sobre este assunto. Gostaria de poder dizer que todos os dias meus pensamentos se encontram dóceis e que tudo o que passa pelo meu olhar vira luz. Gostaria de poder dizer que minha cidade me inspira, me encanta e me motiva.

Não venho dissertar em tom de crítica, para os que não querem ser criticados. Não venho dissertar em tom de reflexão, para os que não querem refletir. Não venho dissertar em tom de história, para os que não querem imaginar.

Trago a realidade em fatos sórdidos, difíceis de engolir, cenas recorrentes do cotidiano de qualquer um que more na mesma cidade que eu: Viamão. É um lugar lindo, histórico e rico. Entretanto, carrega consigo um ar poluído e ruas sujas.

Por vezes é inconcebível falar de mágica por aqui, como também é falar sobre cultura e arte. É trágico querer dissertar sobre amor e respeito, harmonia e equilíbrio quando, ao andar nas ruas, me deparo com a sujeira, o lixo, a desordem e o caos.

Sempre que me deparo com cenas como essas, me pergunto: Será que as pessoas que vivem aqui, acreditam que exista um planeta "B", uma cidade "B"? Um lugar distópico que vamos poder habitar quando nossas ruas estiverem trancadas de tantas sacolas plásticas, quando os bueiros estiverem sufocados de tanto papel de bala.

Pergunto-me, será que as pessoas acreditam que bituca de cigarro é uma semente? Que papel de bala vira flor? Será que as pessoas acreditam que a garrafa de refrigerante que elas jogam pela janela do carro desaparece com tempo ou é carregada pelo mestre dos magos?
Sim, existem pessoas que trabalham duro, recolhendo o lixo e limpando a sujeira que você faz e produz.

Por vezes, me questiono sobre por qual motivo as pessoas querem ler e consumir tanto, mas também penso que as pessoas precisam ler e consumir algumas coisas.

Nossa cidade pede socorro, assim como nosso planeta. É um gesto muito lindo se comover com as praias sujas no final do ano e mesmo assim continuar fumando o seu cigarrinho na frente da praça... pitar no intervalo do almoço e depois jogar a suposta “semente” no chão.

Se até aqui você ainda não sabia, eu te digo com propriedade: bituca de cigarro não é semente, e papel de bala não vira flor!

Mais consciência, para que haja poesia. Se não fica difícil compor belos textos e belas histórias.

Com carinho, Alice.

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Cristiano Abreu

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