Quinta-feira, 21 de OUTUBRO de 2021

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Um ano sem Russinho

IMAGEM: Arquivo/Saul Teixeira

Saul Teixeira | Jornalismo e as fontes da madrugada

Publicada em 22/07/2021 às 00h| Atualizada em 23/07/2021 às 11h39

Hoje o #TBT não é sobre futebol. O jornalista Saul Teixeira republica texto de 22 de julho de 2020, data em que o prefeito em exercício de Viamão, Valdir Jorge Elias, o Russinho, perdeu a vida para a COVID-19.

Segue:

 

A cada quatro anos a rotina se repete: se o candidato a prefeito é da Região Central, o postulante a vice é representante das vilas. Ou vice e versa. Alguns chamam de bairros. O que é um erro geográfico histórico. Mas enfim, eis a regra democrática mais comum em #Viamão para a feitura das chapas.

Valdir Jorge Elias, o #Russinho, faleceu hoje (22/07) em decorrência da maldita Covid-19. Era oriundo da vila Augusta, uma das localidades mais vulneráveis do município. Talvez como compensação do destino, terra repleta de gente fina, elegante, sincera e trabalhadora, como no caso dele. A região das Augustas faz parte de um dos maiores colégios eleitorais da cidade: o quarto distrito, ou a chamada Grande Santa Isabel. Aos dois dias de vida, embora natural de Porto Alegre, virei Isabelense por obra e graça do destino.

Quando repórter, inúmeras vezes tive o dever de entrevistá-lo. A primeira vez ocorreu na pauta chamada “Ouvir todos os vereadores eleitos”. Bonachão, extremamente acessível. “Obrigado, guri”, disse, finalizando o bate-papo que na sexta-feira seguinte fez parte da edição do centenário Correio Rural. “Saneamento e saúde serão as prioridades do meu mandato”, resumiu mais ou menos assim.

Explosivo e, às vezes, nada polido, certa vez chegou às vias de fato com outro vereador. O plenário Tapir Rocha virou ringue e o duelo ganhou o Brasil. Imaginem qual era o desafio do então estudante de jornalismo aqui? Ouvir os dois. Separadamente, claro kkk Bingo! Edição de Natal. Que tal algumas mensagens de lideranças da cidade? Missão bem encaminhada. Faltava o presidente da Câmara de Vereadores...

Liguei para ele 1, 2, 3, 4, 5 vezes. Ele retornou por volta das 22 horas. “Me liga amanhã que te recebo na Câmara”, prometeu. Combinado! No dia seguinte, porém, retornou somente por volta das 19h, faltando alguns minutos para o fechamento da edição. Corri para o Legislativo. Missão comprida, porém, cumprida. “Desculpe novamente”, disse ele. “Capaz, presidente. Compreendo perfeitamente a sua agenda” completei.

Tempos depois, algo raro. Meus melhores amigos conseguiram me tirar de casa. Lá fui eu para a famigerada balada. Imaginem o que aconteceu? Isso mesmo!!! Encontrei com o nosso já saudoso personagem. É óbvio que não havia nenhum problema nisso. Nenhum mesmo. Repito: zero problema. Entretanto, visivelmente constrangido, ele justifica: “Vim acompanhar o meu filho”, disse, me apresentando ao jovem. Cheguei no ouvido dele e falei: “Aqui tu não é o presidente. Aqui, pra mim, tu é o Russo. Fica tranquilo que a máquina fotográfica ficou em casa”, disse. Rimos, brindamos e seguimos nossos caminhos. Depois daquele dia, porém, ele passou a me atender sempre na primeira tentativa (mentira minha kkkk).

Na sequência, tornou-se secretário de Obras da cidade. Seguimos com a mesma relação respeitosa de sempre: Jornalista e Fonte. Em 2016, elegeu-se vice-prefeito, mas eu já estava trabalhando em Porto Alegre. Mesmo assim, confesso que fiquei feliz por ele.

Em fevereiro deste ano, após afastamento de seu colega de chapa, virou chefe do Executivo em exercício. “Russinho queria ser prefeito de Viamão. Vinha nesta luta, neste sonho, há três décadas... talvez um pouco mais. Partiu em seu momento de apogeu. Saiu do palco na grande cena, no clímax de sua história”, resumiu brilhantemente o colega jornalista Fábio Salvador.

Agora, a triste coincidência. Eu planejava tornar público as lembranças nas próximas eleições. Juro por tudo que é mais sagrado neste mundo. Arrepiante! Por motivos óbvios e com profunda tristeza e consternação, antecipo as lembranças e também o #TBT da semana.

Russinho era gente como a gente. Russinho era 'Vileiro' como a gente. Russinho saía no soco como a gente. Russinho curtia a madrugada como a gente. Antes de qualquer coisa, Russinho era um cidadão de VIAMÃO como a gente. No melhor e mais abençoado sentido da palavra. Força à família.

Descanse em paz, PRESIDENTE RUSSO.

✍️📷 SAUL Teixeira
Porto Alegre, 22 de julho de 2020

 

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Cristiano Abreu

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