Quinta-feira, 21 de OUTUBRO de 2021

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Esporte

IMAGEM: Reprodução

Saul Teixeira | Grêmio e o ’canhotaço’ que calou Galvão Bueno

Publicada em 12/08/2021 às 00h| Atualizada em 13/08/2021 às 17h24

Era impossível não torcer pelo Grêmio de 95 e 96. A não ser que você seja colorado fanático. Eu respeito. Mas, eu, aos 11 anos, e ainda embriagado pela Copa de 94, tinha naquele time uma paixão platônica. Paixão pelo futebol. Notadamente, pela arte de chutar a bola!

Foi neste contexto que entrei no quarto dos meus pais e liguei a TV. Singelas 14 polegadas. Grêmio X Portuguesa emoldurando um lindíssimo domingo de verão na Velha Capital do Estado. Viamão parou! Rola a gorducha...

O Tricolor precisava, no mínimo, igualar o placar da semana anterior. Derrota por 2 a 0 no Morumbi. Além da vantagem no placar, a Associação Portuguesa dos Desportos ostentava nomes como Zé Roberto, Capitão, Gallo, Alex Alves e Rodrigo Fabri. 

O Grêmio, com a base que virou prosa e verso Brasil afora, a começar pelo mítico Danrlei. Com um grande diferencial da temporada anterior: Mário Jardel já estava estufando as redes na Europa, fazendo Paulo Nunes assumir o protagonismo ofensivo. Tanto que o Diabo Loiro terminou o campeonato com a chuteira de ouro, com 16 tentos assinalados. Foi justamente o camisa 7, que após bate-e-rebate, domina de direita, ajeita para o ‘pé ruim’ e vence Clemer. Festa no Velho e Saudoso Casarão. Depois disso, porém... o sofrimento passou a vestir azul, preto e branco...

O sol já havia virado crepúsculo. Galvão Bueno, o senhor que é um dos principais responsáveis pela minha paixão pelo futebol, àquela altura, já era rival: “O narrador é deles”, observa meu pai, colorado! “Claro, eles sempre torcem para os caras de São Paulo e do Rio de Janeiro”, complementa minha mãe, gremistona, bairrista e docemente passional. No segundo tempo, troquei a solidão do quarto dos velhos pelos aposentos do meu irmão. Ele, três anos mais velho, estava na casa do vizinho. Lá não havia Saulzão e sua secação, hehe!!!

Dinho deixa o gramado para a entrada de Aílton. Já era noite! Tempos depois, o mundo conheceu o enredo. “Pedi pro Felipão me tirar e colocar o Aílton”. Será que deu certo? Carlos Miguel, que já cumpria a função de segundo volante, faz um lançamento de “800 metros”. Zé Afonso, o Afonsão, disputa pelo alto...

A Câmera da Globo viaja pelo espaço aéreo porto-alegrense. Ao voltar ao enquadramento original, concomitantemente, ajeito o travesseiro para apreciar a história que será escrita em 3, 2, 1... 

Aílton. Aílton. Aílton!!!! De perna esquerda, uma bangornada. Uma bomba. Um tiro. Uma tijolada. Uma flechada. Uma raquetada... Assim como Paulo Nunes, gol assinalado com a “perna ruim”. Ruim pra quem, cara pálida?

Galvão Bueno e seu grito de gol nada, nada entusiasmado. Baixinho. Protocolar. Quase constrangido. Apenas para que o vazio não tomasse conta da transmissão. Gol da Nigéria nos Jogos Olímpicos de 1996. Gol da França na Copa de 98. A entonação foi a mesma. Minha mãe tinha razão. “É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É É... É DO GRÊMIO”. No segundo momento da narrativa, sim! Carlos Eduardo dos Santos limpou um pouco a barra com a Nação de Três Cores e encarnou o bom e velho Galvão Bueno. 

Termina o jogo. Vou com a minha mãe pra frente de casa acompanhar a carreata, o foguetório e a justíssima euforia. A Avenida Liberdade, na Santa Isabel, virou estádio Olímpico. Meu irmão retorna à Teixeira’s House ainda emocionado. Camiseta tradicionalíssima. Boné temático. Bandeira enrolada no pescoço. “Foi de xiripa”, reclama meu pai. 

Meu irmão dá de ombros! Minha mãe acabara de acender uma vela em gratidão a São Jorge. Eu já estava chutando a bola de canhota na parede à espera das Olimpíadas do Faustão. Tudo isso em 15 de dezembro de 1996. A data em que Aílton quase calou Galvão e que, sem dúvidas, irritou Saulzão. 

O Grêmio é história!!!

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Cristiano Abreu

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