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Crise do coronavírus

Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

Coronavírus mostra força em momento de reabertura econômica

por Claudio Brasil - Especial | Publicada em 23/04/2020 às 00h| Atualizada em 04/05/2020 às 14h57

O Brasil começa a sentir toda a força do coronavírus, justamente no momento em que sofre maior pressão pela abertura do comércio nos estados e a retomada da economia. A crise parece tomar sua forma mais alarmante no estado do Amazonas, mais exatamente em Manaus. Em São Paulo, o governador João Doria já anunciou as medidas iniciais para retirar o estado da quarentena, a partir do dia 11 de maio.

Depois de ver o número de enterros triplicar com a chegada da pandemia, a prefeitura da capital estabeleceu o sistema de trincheiras ou valas comuns para a realização dos sepultamentos. No Cemitério Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, zona oeste, as cenas são de guerra. Os esquifes são colocados lado a lado dentro de uma mesma trincheira para depois serem cobertos por terra com auxilio de uma retroescavadeira. Aos parentes resta derramar as lágrimas de adeus à beira da grande cratera.

 E a tristeza se espalha. Fora dos cemitérios, um número enorme de carros funerários se acumula diante dos parentes das vítimas desolados, conforme vídeos que circulam na internet. Tudo isso torna ainda mais dolorida a despedida dos entes queridos. Como forma de preservar a privacidade das famílias, o acesso ao local está restrito à quantidade máxima de cinco pessoas, conforme o Decreto nº 4.801, de 11 de abril de 2020, publicado no Diário Oficial do Municipal.

Para dar conta dos serviços funerários em quantidade tão elevada, contêineres frigoríficos também foram instalados no cemitério Nossa Senhora Aparecida. O mesmo já ocorre inclusive nos hospitais de Manaus. A medida foi tomada pelo governo estadual depois que imagens de corpos ao lado de pacientes foram registradas dentro das instalações hospitalares. Já são 193 mortes confirmadas e 2270 casos da COVID-19.

 

São Paulo prepara fim de quarentena

 

O governador João Doria, juntamente com secretários, anunciou os primeiros detalhes daquele que será o planejamento para a maior flexibilização do comércio no estado, o Plano São Paulo.  A ideia é definir protocolos regionalizados, tendo em vista o acompanhamento da evolução da doença nas mais diversas regiões e setores econômicos. Detalhes mais específicos sobre a reabertura serão divulgados no dia 8 de maio. Até lá estudos estarão sendo realizados.

Conforme a equipe de governo, o plano para a economia será conduzido para evitar que a reabertura desordenada do comércio provoque uma disparada no número de casos e de mortes em decorrência da COVID-19. "Salvar vidas é a prioridade máxima do governo de São Paulo", declarou Doria. "De nada adianta abrir o comércio e não ter quem compre", concluiu.

Doria destacou anda que, mesmo em período de quarentena, pelo menos 74% das atividades econômica seguiram ativas, rebatendo as críticas do presidente Bolsonaro sobre o excesso das medidas restritivas. "Numa pandemia como essa quem determina nossos passos são a saúde e a ciência", ressaltou.

Os novos protocolos serão discutidos por uma equipe de economistas e depois apresentados a médicos e especialistas do Centro de Contingência do coronavírus. Os profissionais irão aprovar ou vetar as alterações segundo estatísticas de número de doentes com COVID-19 e a capacidade de atendimento de saúde em diferentes regiões.

Doria também criticou as manifestações políticas ocorridas na cidade de São Paulo durante o final de semana por parte de apoiadores do presidente Bolsonaro e empresários, tendo por objetivo pressionar o governo pela abertura do comércio e pelo fim da quarentena. "Esses manifestantes, se julgando imunes, sem utilizarem máscaras, desrespeitando determinações da prefeitura, e se tornaram defensores do vírus e inimigos da vida", disse.

 

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