Segunda, 10 de AGOSTO de 2020

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Dia das Mães

Por conta da quarentena, Kelly conversa com a mãe, Naura, e com a avó, Maria Antônia, por chamada com vídeo

Em nome da vida, o abraço nas mães terá que esperar

por Cristiano Abreu | Edição de vídeo: Guilherme Klamt | Publicada em 10/05/2020 às 00h| Atualizada em 13/05/2020 às 21h52

Como se define uma vocação? O dicionário é pródigo em sinônimos, mas em determinadas ocasiões, nem mesmo a etimologia (origem) é capaz de traduzir gestos. Mais que isso, ações nos oferecem novos sentidos às palavras.

O fim de semana em que o Brasil ultrapassou os 10 mil mortos por coronavírus coincide com o Dia das Mães, historicamente marcado por reuniões familiares. Porém, a data em 2020 será lembrada no futuro pela ausência. É preciso esperar pelo abraço, pelo recomeço. Para muitos, jamais haverá nova chance.

Neste domingo (10), milhares de profissionais da Saúde estarão em serviço. Os que integram a linha de frente da atenção aos pacientes com a covid-19 encaram um desafio maior do que estar longe das famílias. Uma legião de mães, filhos, maridos, e esposas que por instantes esquecem os seus em nome das vidas pelas quais se empenham em salvar.

Cada um desses trabalhadores, dos ambulatórios aos hospitais, tem dado contribuição extra durante a pandemia. O Técnico em Enfermagem Bruno Figueiró, 37 anos, alterou toda sua rotina para seguir cuidando de quem precisa. É a brincadeira com o filho que fica para depois, o beijo na companheira que é adiado, o carinho materno que ele não sabe ao certo quando poderá voltar a desfrutar com segurança.

– O trabalho normalmente nos deixa um pouco distante da família em datas comemorativas. Mas neste Dia das Mães, o impacto sobre a gente é maior, a falta do contato físico é uma experiência com sabor amargo. Porém, tenho certeza de que é o melhor a ser feito, para preservarmos a saúde de todos – diz.

Figueiró é casado com a psicóloga Kelly Dunker, 32 anos, e pai do Gabriel, de apenas um ano e meio. Por conta da pandemia, o casal chegou a discutir se eles deveriam restringir o convívio.

– Como trabalho no turno da noite, o Gabriel já está dormindo quando eu chego em casa, isso torna menos difícil esse momento. Mas tem dias que volto mais cedo, e é complicado – afirma Bruno.

– No início, pensamos que seria melhor o Gabriel e eu ficarmos isolados do Bruno, mas ele é muito apegado ao pai. O que fizemos foi adotar medidas de segurança para diminuir os riscos – conta Kelly.

 

 

O casal criou uma “área de descontaminação” em casa. Nesse espaço, já na chegada, é feita a troca de roupas e a higienização com álcool em gel de objetos.

– Higienizo mãos e braços com o álcool, o mesmo com pertences pessoais como celular, carteira e chaves. Deixo as roupas, tênis e mochila numa peça que fica com a porta fechada. Tomo banho novamente e coloco uma roupa que uso apenas em casa – explica o técnico em enfermagem.

Por conta da quarentena, pela primeira vez a Kelly não terá a presença da mãe na data.

– É meu segundo Dia das Mães como mãe, mas o primeiro longe da minha. A ausência daquele abraço materno, que aconchega, que acalma, não é somente física. Esse contato é uma troca de energias, de sentimentos, e, como tudo na vida, só percebemos a importância de alguns momentos quando os perdemos – resume a psicóloga.

 

Em nome da empatia

 

Durante a quarentena, a Kelly adotou o home office. E passou a oferecer assistência psicológica gratuita para ajudar as pessoas a lidarem com o distanciamento social. As consultas são realizadas por vídeoconferência.

– Em consequência do isolamento, da incerteza do futuro, muitas pessoas desencadearam transtornos de ansiedade, com diversos sintomas, gerando sofrimento psíquico, necessitando um olhar profissional, de suporte. Não é um serviço de fácil acesso para boa parcela da população, por isso me prontifiquei a ajudar... para acolher as pessoas – completa Kelly.

Os gestos desse casal simbolizam o momento vivido pelas equipes de Saúde Brasil afora. Gente que faz sua parte, dentro e fora das instituições de Saúde para reduzir a transmissão do vírus, mas que precisa da empatia coletiva. Seja evitando uma morte em um leito de hospital, ou ajudando a superar os traumas do isolamento – como a perda de um ente querido – vão ressignificando palavras como amor, carinho e dedicação. Contudo, eles só terão sucesso se você compreender que o momento exige cuidado. A vocação deles - e a dor de quem perdeu alguém - merecem que você dê novo significado à palavra respeito.

– Mantenham suas mães em segurança, pensem em quem não tem mais a chance de dar um beijo e um abraço na mãe depois que isso passar – apela Figueiró.

– Faz uma ligação por vídeo, manda um áudio, o jeito é se reinventar e criar maneiras criativas e saudáveis para demostrar o carinho às mães, preservando a saúde de todos – finaliza Kelly.


 

EM VÍDEO

Bruno Figueiró e Kelly Dunker contam como é a rotina profissional e pessoal durante a pandemia.

 

 

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Cristiano Abreu

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