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Solidariedade

Fotos: Lar Alice | Divulgação

O Lar Alice Kinsolving precisa de ajuda para não fechar

por Cristiano Abreu | Publicada em 12/05/2020 às 00h| Atualizada em 14/05/2020 às 14h31

É mais um dia na Avenida Reverendo Américo Vespúcio Cabral após a reabertura do comércio. As pessoas tentam dar ares de normalidade ao cotidiano irreparavelmente transformado pelo coronavírus, mas filas e máscaras são elementos novos na paisagem dessa, que é uma das mais importantes vias do centro de Viamão. Porém, das portas dos bancos, das lojas ou de dentro dos carros, poucos percebem uma obra social presente no coração da cidade há quase um século. Bem no comecinho da via (para quem vem da RS-040) está o Lar Alice Kinsolving, instituição dedicada ao bem-estar de idosos e que também sofre os efeitos da pandemia.

Das calçadas é possível notar o prédio de tijolos à vista no número 237, que chama atenção pela icônica cruz deitada em sua parede frontal. Contudo, a cidade desconhece o trabalho realizado nas estruturas que ficam nos fundos do mesmo terreno. Para compreender a importância do Lar, é preciso subir a singela rampa de chão batido, um acesso lateral quase escondido entre uma fruteira e um minicentro comercial.

Desde 1951, a casa acolhe senhoras e senhores a partir de 60 anos de idade, mas na década de 1940 chegou a abrigar exclusivamente mulheres em situação de vulnerabilidade social. Até 2014, se mantinha com recursos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e de lá para cá enfrenta dificuldades financeiras.

A situação que não era boa, piorou com a chegada do novo coronavírus no Brasil, de acordo com o diretor do Lar, Ricardo Hallberg Luiz. Com capacidade para receber 50 idosos, hoje só consegue atender a metade.

– Estávamos realizando reformas quando a crise de Saúde começou. Além das questões do espaço, de isolamento, e como mantemos o Lar com doações majoritariamente privadas, vivemos uma situação difícil – conta Ricardo.

 

Ricardo pede apoio da comunidade

 

Outra fonte de recursos é a aposentadoria dos idosos que residem no Lar Alice, o que não é suficiente, de acordo com Ricardo.

– Temos aqui uma equipe de 17 profissionais com assistentes sociais, médicos enfermeiros, nutricionistas, técnicos em enfermagem, cozinheiras, manutenção, serviços gerais, administrativo e serviço de emergência 24 horas. Com a aposentadoria dos vovôs e vovós muitas vezes não dá para manter nem as despesas com medicamentos – lamenta o diretor.

Quartos, salas de atendimento médico, banheiros, cozinha e área externa passavam por reformas quando a crise do coronavírus começou, em março. Para concluir o processo, o Lar precisa de doações.

– Precisamos de ajuda privada, nem que seja apenas durante a crise. Com as obras concluídas, teremos mais espaço, poderemos acolher mais pessoas. Precisamos da sociedade para continuarmos abertos – desabafa.

A luta para manter o Lar Alice funcionando é também uma batalha por mais visibilidade à Terceira Idade. E conforme Ricardo, Viamão e o Brasil não dão o valor devido aos mais velhos.

– A população idosa vai dobrar no país nos próximos anos, e nossa sociedade não prioriza a Terceira Idade. A causa das crianças tem muito mais apelo que a dos vovôs e vovós. É preciso olhar para eles, se esta casa desaparecer, muitas das pessoas que vivem aqui perderão sua referência, a própria identidade delas também desaparecerá – finaliza Ricardo.

 

Sala de estar dos idosos

 

Sem amparo público

 

O único benefício que a legislação de Viamão concede ao Lar Alice Kinsolving é a isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS). Casas de assistência ao idoso podem se beneficiar de doações de pessoas físicas e jurídicas através da declaração anual do Imposto de Renda, mas em Viamão, o Fundo Municipal do Idoso não está cadastrado na Receita Federal. Conforme Ricardo Hallberg Luiz, que também é membro do Conselho Municipal do Idoso, a Prefeitura não providencia a documentação necessária.

Com relação à gestão municipal, Ricardo também revela que a casa recebeu idosos a pedidos das secretarias de Assistência Social e da Saúde, porém, os valores para a manutenção dessas pessoas nunca foram repassados.

– Por questões esporádicas, acolhemos 27 vidas a pedido do município. A maioria já foi levada para outros abrigos, mas nunca nos repassaram o custeio. Há alguns dias, por estarmos precisando, fui até o prefeito (Russinho), mas ele disse que não vai pagar agora – afirma Ricardo.


 

O que diz a Prefeitura:

 

O Diário de Viamão questionou a Prefeitura sobre as demandas do Lar Alice, mas não houve retorno até a publicação da matéria.

 

Refeitório é um dos espaços já reformados

 

Contato durante a pandemia

 

Visitas ao Lar Alice estão suspensas durante a crise do coronavírus. Isso reduz a circulação de pessoas, os protegendo da COVID-19, mas também limita a convivência dos moradores.

– Além dos parentes, os vovôs e vovós recebem turmas escolares e alunos de cursos profissionalizantes, que realizam cortes de cabelo, manicure e atividades lúdicas como canto e dança. Agora está tudo parado – explica Ricardo.

Para amenizar a saudade, a casa realiza chamadas com vídeo entre os residentes e os familiares.

– É uma alternativa que deu certo, pois estamos permitindo somente o acesso dos colaboradores. Assim os parentes sabem que eles estão bem, conversam e se animam.


 

PARA AJUDAR

 

Quem deseja ajudar o Lar Alice Kinsolving com doações, prestação de serviços e parcerias pode fazer contato pelos telefones (51) 3485-1164, (51) 99964-7239 (WhatsApp) e (51) 9384-6320 (WhatsApp). Clique aqui para conheçer a casa no facebook.

A casa também mantém uma vakinha online para captar recursos. O objetivo é a compra de equipamentos para verificação de pressão arterial e materiais de higiene. Clique aqui e ajude.

 

 

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