Sexta-feira, 03 de JULHO de 2020

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Crônica

Ana D´Avila: Pesadelo

por Ana D´Avila | Publicada em 23/06/2020 às 00h| Atualizada em 23/06/2020 às 11h59

A única certeza que tinha é de que não poderia parar de escrever. Sob pena de enlouquecer. De não ter para quem contar seus dramas e angústias. A vida emocionalmente não é fácil para ninguém. Quanto mais para uma contestadora, uma vidente, uma mulher assombrada com tempos sinistros. Mas ela persistia.

Um romance cinematográfico moldava a solução. Amando as pessoas encaram seus medos. E ter medo é bem humano. Apaixonar-se também. Fazer sexo também. A vida escoa em sorrisos quando se tem a quem amar. A quem contar as intimidades. Que as vezes, nem são tão íntimas assim. Mas são pessoais.

O filme na televisão tinha tudo para agradar quem desfrutava dele. Uma guerra insustentável, discordâncias políticas, sérias ameaças existenciais e um casal apaixonado. Existe melhor enredo? Quando tudo parecia desmoronar eles apertavam as mãos. Iam para a cama. Cenário de paz. Ali contavam segredos. Ali seus corpos nus enchiam-se de um fogo, quase imperceptível,mas intenso.

Ao lado do quarto existia um espaço místico. Uma vela cor de rosa acesa. O que, na penunbra, transmitia muita tranquilidade. A calma dos que amam. Um incenso de lavanda desenhava figuras no ar. Uma espiral, uma nuvem, um coraçãozinho. Ao mesmo tempo em que o ar se enchia de um perfume doce. Tudo ficava agradável.

Embora o tempo em que viviam estivesse incerto,neles havia amor e diálogo. Contaram do sonho que tiveram. Ambos tiveram pesadelos na noite anterior. Seus semblantes pela manhã estavam marcados por preocupações.Em seus  olhos, cansaço e olheiras.

A noite foi de pavor. Muitas pessoas brigavam por comida e posição social. Neste tempo, tudo ruía. Até as palavras transmitidas pelos governos à população. Tudo era engodo. Até que choraram. Até que acordaram para uma realidade estranha. O mundo enfrentava uma crise sem precedentes: moral, política e econômica.

No pesadelo, telepaticamente sentiram a mesma coisa. Uma aflição com aparente explicação. Bombas, armas, munições e seres violentos dominavam o planeta. Eram poucas as pessoas que tinham bondade em seus gestos e corações. Algo muito ruim estava acontecendo com a humanidade. Que, infelizmente, sabendo dos preceitos espirituais, não aprendia.

Cristiano Abreu

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