Quinta-feira, 06 de AGOSTO de 2020

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Mãe ganhou criança no saguão do hospital | Foto GYSA SANTANA | Especial

Alô, Dr. Pasa: bebê morto e parto no saguão? Câmara tem que convocar diretor de hospital

por Rafael Martinelli | Publicada em 05/03/2020 às 13h08| Atualizada em 06/03/2020 às 11h17

Quatro dias após o casal Jeniffer Gabriela de Lima, 22 anos, e Marcel Paulo Peçanha, 34 anos, perder o bebê Theo por complicações no parto dentro do Dom João Becker – e a suposta negligência médica estar sob investigação da Santa Casa, 1ª Delegacia de Polícia Civil e Ministério Público, como tratei no artigo Mãe que perde bebê em hospital sempre tem razão; é preciso respostas – uma mãe deu a luz no saguão do único hospital de Gravataí.

Vamos às informações, que causaram nova comoção nas redes sociais, inclusive com vídeos compartilhados por milhares de pessoas e fotos, como a que ilustra este artigo, cedida pela repórter Gysa Santana.

Ao fim, comento.

Conforme apurou Laura Becker para o GaúchaZH, o parto da menina que nasceu com 2,688 quilos e 45 cm e passa bem, assim como a mãe, que não teve o nome e nem idade revelados, foi feito por uma enfermeira e alguns dos pacientes que aguardavam atendimento.

O pai de santo Wagner Ricardo Medeiros, que ajudou no parto, contou que tudo aconteceu muito rápido. Ele relata que percebeu que a mulher não estava bem e pegou uma cadeira para que ela pudesse sentar. Foi então que percebeu que ela iria dar à luz.

– Quando eu coloquei ela na cadeira, vi que o bebê estava nascendo. A enfermeira que estava comigo alertou para que eu segurasse a criança para que ela não caísse no chão. Quando eu já estava com a menina percebi que o cordão umbilical estava enrolado no pescoço. Eu mostrei para a enfermeira, que fez um procedimento para que ela (bebê) não estrangulasse.

Ainda de acordo com testemunhas ouvidas pela reportagem, o restante da equipe médica demorou cerca de 15 minutos para ajudar a enfermeira que fez o atendimento. Com a chegada da equipe, a mãe foi colocada em uma maca e encaminhada junto com a recém-nascida para o centro obstétrico.

A Santa Casa, que faz a gestão do hospital, informou que a mulher deu entrada no hospital Dom João Becker às 15h06min e que, após três minutos, durante o processo de admissão, sentiu uma forte contração, dando à luz ao bebê imediatamente.

 

Analiso.

Algo está muito errado na Santa Casa de Gravataí.

Mesmo depois da tragédia da madrugada de sábado, a equipe médica teria demorado 15 minutos para atender a mãe e o bebê, nascido em um ambiente com risco de contaminação.

Misericórdia!

Como a fatalidade – ou homicídio culposo (isso o delegado Márcio Zachello vai apurar no inquérito já instaurado) – que vitimou o bebê Theo, respostas precisam ser dadas sobre o episódio de hoje.

A Santa Casa não pode tratar o hospital de Gravataí apenas como uma estatística favorável, com um número de atendimentos pelo SUS suficiente para equilibrar os índices do grupo para garantir a filantropia e avançar cada vez mais na medicina privada.

Inegável é a crise na saúde nacional com, somente no ano passado, mais 2 milhões de pessoas perdendo a condição de pagar plano de saúde e dependendo do SUS. Mas o Becker recebe quase R$ 50 milhões por ano repassados pela Prefeitura!

O governo precisa pressionar mais da Santa Casa e ser implacável na auditoria sobre os serviços prestados, como ficou previsto na renovação do contrato em fevereiro deste ano. 

Não é favor, é uma obrigação que a Santa Casa esclareça ao contribuinte que paga a conta uma tragédia, e uma potencial tragédia que teve um final feliz, num intervalo de menos de uma seman.

Agradeça, diretor técnico Dr. Marcelo Bastiani Pasa, que outra criança não morreu a poucos metros do quadro de Bárbara Maix.

Está mais do que na hora do senhor falar para além de frias notas oficiais.

Ao fim, resta urgente uma convocação pela 'casa do povo', a Câmara de Vereadores, poder que na proporcionalide dos votos representa 100% do eleitorado de Gravataí.

Cristiano Abreu

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