Quinta-feira, 13 de AGOSTO de 2020

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Com perfil de atleta, Guilherme não conseguia subir um andar de escadas nem medicado com broncodilatadores e corticóide

O caso do maratonista de Viamão suspeito de COVID-19; atenção, ’marcha da morte’!

por Rafael Martinelli | Publicada em 30/03/2020 às 18h27| Atualizada em 15/04/2020 às 19h15

Amigos ao vivo ou de Facebook do Guilherme Rocha da Silva, 34 anos, sabem que se trata de um atleta. As postagens em seus perfis nas redes sociais comprovam. Adepto do veganismo, em sua apresentação consta: ultramaratonista.

Ele é presidente do PSOL de Viamão, e uma comprovação da subnotificação denunciada por especialistas como Margareth Dalcolmo, cientista que é referência brasileira na área, e diariamente dá aula na GloboNews, e você confirma no artigo 'Estão ocorrendo mortes por coronavírus sem diagnóstico na rede pública', diz pneumologista da Fiocruz.

Siga o relato detalhado do Guilherme sobre como enfrentou a COVID-19, e como a doença afetou sua esposa e filhos, uma bebê e um menino de 5 anos, e a virulência do vírus não respeitou seu histórico de atleta.

Ao fim, comento.

 

Fechando duas semanas de isolamento queria dar um relato. Há 15 dias tive uma febre alta e coriza, imediatamente fui a uma unidade de saúde pois já se iniciavam as indicações de resguardo. Lá fui atendido por uma médica que constatou os sintomas da covid, inclusive respiratórios. Na consulta relatei não ter viajado ao exterior e não saber se tive contato com alguém positivo, porém informei que me reunia com muitos clientes oriundos do exterior. Fui afastado em isolamento de 14 dias, sem testar pois fui informado que os testes eram apenas para casos graves.

Nos 4 dias seguintes eu vivi o caos, a ponto de apavorar minha companheira Dai Testa. Meus filhos e ela tiveram sintomas leves: dois dias de febre mais alta e tosse. Porém eu tive a crise respiratória mais longa da minha vida. Tenho bronquite e estou acostumado com crises, mas desta vez, mesmo medicado com broncodilatadores e corticóide, a crise simplesmente não passava. No primeiro dia não consegui subir as escadas para o segundo andar da casa, de tão ofegante. Aparentemente o vírus não respeitou meu histórico de atleta e de Ultramaratonista.

Por medo de me expor a mais doenças e desconhecimento não fui ao médico novamente e me tratei em casa. Depois de uma semana os sintomas recuaram e o pavor também. Neste meio tempo descobri que duas pessoas com a quais estive junto em uma sala fechada testaram positivo, não deixando muitas dúvidas do que tive apesar de nunca ter contato para as estatísticas oficiais.

Escrevo isso para dizer que a epidemia deve estar muito mais espalhada por conta das subnotificações, como a minha e para dar certeza de que NÃO É UMA GRIPEZINHA.

Não escutem o boçal que tiver a este país, escutem o mundo e quem entende do assunto.

#fiqueemcasa

 

Analiso.

Guilherme é possivelmente um dos tantos casos de jovens infectados e sem exame que o confirmariam como o terceiro caso de Viamão, com mais a esposa e o filho, 5.

O Rio Grande do Sul só testa hospitalizados em estado grave.

O Informe Epidemiológico do RS de domingo mostra que os infectados pela COVID-19 são 1 entre 5 e 9 anos; 1 entre 10 e 14 anos; 5 entre 15 e 19 anos; 27 entre 20 e 29 anos; 40 entre 30 e 39; 30 entre 40 e 49; 4 entre 50 e 59; 35 entre 60 e 69 e 13 entre 70 e 79.

A MAIOR PARTE DOS CASOS CONFIRMADOS OCORRE ENTRE 30 E 39 ANOS. Não são os velhinhos, aqueles 5,7 mil CPFs que o novo rico do Madero sugeriu cancelar em nome de CNPJs.

Se um adepto à saudável alimentação vegana e maratonista como Guilherme, 34, sofreu com a falta daquela coisa gratuita chamada AR, outros sintomáticos ou assintomáticos – não só jovens, mas velhos, diabéticos e hipertensos – certamente estavam hoje na ‘carreata da morte’ de Viamão, na qual estavam vários que já vi espumando por ‘intervenção militar’, mas hoje não tiveram disciplina para cumprir uma ordem judicial que impedia as pessoas de se cuspirem dentro e fora dos carrões.

Ao fim, me preocupa essa marcha da insensatez e esse ódio ao conhecimento. Com sarcástica ironia, sem conhecer Bolsonaro, Millôr escreveu: “No fim o Bem sempre triunfa. Mas Napoleão, Stalin, Batista, Trumam, Salazar, Perón e Franco morreram na cama. Sócrates, Cristo, Lincoln, Gandhi e Martin Luther King, não”.

Inegável é que a História jogará luz em tanto obscurantismo, mas a História com agá precisa de tempo – e, invariavelmente, nas guerras ou nos grandes crimes contra a Humanidade, enquanto conta os anos, enterra corpos. Que em nosso caso não sejam mortos sem despedidas de entes queridos, ou velórios.

Cristiano Abreu

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