Segunda, 25 de MAIO de 2020

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opinião

Vereador Maninho Fauri e prefeito afastado André Pacheco | Fotos ARQUIVO

PSD, o refúgio de André Pacheco, prefeito afastado pela ’Lava Jato de Viamão’

por Rafael Martinelli | Publicada em 03/04/2020 às 20h58| Atualizada em 07/04/2020 às 23h30

Printe & Arquive na Nuvem.

O PSD será o refúgio de André Pacheco, prefeito afastado por seis meses pela Operação Capital, a ‘Lava Jato de Viamão’, que tratei em artigos como ’Lava Jato de Viamão’: os diálogos entre o prefeito e o vereador’Lava Jato de Viamão’ bloqueia 15 milhões em bens de prefeito e réus; leia diálogosPrefeito de Viamão, 5 secretários e vereador afastados por suspeita de corrupção

– Te confirmo. Estamos neste momento em reunião sobre isso – despistou na noite desta sexta Maninho Fauri, vereador que é presidente do partido e seria o vice de Andrezinho na tentativa de reeleição.

Desde que saiu do PSDB, o prefeito afastado está sem partido, e no pior momento de sua curta carreira política. Pessoas próximas dizem que o empresário está mais preocupado em apresentar sua defesa das denúncias de corrupção apontadas pela Promotoria dos Prefeitos, desbloquear seus bens e, num pior cenário, evitar a prisão.

Para se ter uma dimensão da gravidade daquele que é o maior escândalo da história de Viamão, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) 00030.00012/2019, que levou o Tribunal de Justiça a afastar o prefeito, acusa-o de ter contas pessoais pagas por empresa fornecedora da Prefeitura, como aconteceu, por exemplo, com ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, hoje inquilino em Bangu 8.

Este sábado é o último dia da janela para filiação partidária de quem disputará a eleição de 2020, mas inscrevo no ‘Printe & Arquive na Nuvem’ que André já está no PSD.

Explico.

Maninho aceita André no momento em que o prefeito eleito em 2016 com 56.739 votos (quase seis em cada dez eleitores aptos a ir às urnas) é um ‘cadáver político’, ou, apostando na inesquecível falta de memória do eleitor, principalmente pelas manchetes terem se tornado monotemáticas com a crise do coronavírus, um zumbi no Walking Dead eleitoral.

É uma forma de garantir o apoio de André para uma candidatura dele, Maninho, a prefeito, sempre sob a sombra de Dedo Machado, um dos secretários também afastados.

– Há também o fato Russinho. Não sou empecilho a nada, nem o André – diz o vereador, mais para atirar uma pedra na água e sentir a onda do que por intenção ou desejo; isso até a centenária figueira da praça Julio de Castilho sabe.

É que o anoitecer do sábado vai confirmar que Valdir Elias, o Russinho, vice que assumiu como prefeito interino, botará a bala no tambor para concorrer à reeleição para Prefeitura.

Sim, pela lei eleitoral, se não renunciar até às 18h do sábado, o que não fará, ele estará no curso de um mandato como prefeito, e só poderá concorrer ao mesmo cargo, ou a vice, e não mais a vereador.

Russinho inclusive já foi lançado candidato com a bênção de Sarico Moura, e a garantia de Jair Mesquita, como tratei em atigos como Sob ’contágio político’ da ’Lava Jato de Viamão’, Russinho é candidato a prefeito e Procurador-geral é ’avalista’ de contratos de um prefeito; a ’Lava Jato de Viamão’.

Pragmático, Maninho joga o jogo do poder, aquele que não permite subir aos céus sem morrer.

– Acredito na inocência do prefeito André, pelo perfil político e a história dele como empresário – sustenta, em uma defesa intransigente que só ouvi de uma pessoa, e sem mandato: Daniel Jaeger Marques, o assessor de imprensa do político afastado.

O vereador conta que a expectativa era de uma decisão nesta sexta do desembargador úlio César Finger, favorável ou não à volta de André ao governo. Mas, se a pandemia da COVID-19 ajudou a tirar o prefeito afastado das manchetes negativas, também colocou o Tribunal de Justiça em quarentena.

– O desembargador voltou das férias e, quando estava com a defesa na mesa, o TJ parou. Mas o prefeito apresentou justificativas para cada ponto, inclusive há R$ 11 milhões glosados a partir de irregularidades apontadas pelo tribunal. É mais do que o suposto desvio apontado.

Maninho espera que o ‘tapetão’ não decida a eleição em Viamão.

– Os poderes todos hoje são políticos. O judiciário não é diferente, e nem o Ministério Público. No rompimento com o PSDB (quando denunciou o secretário de Governo Rafael Bortoletti, ligado ao ex-prefeito Valdir Bonatto) o André apontou um conluio para prejudicá-lo. Na ata notarial, onde registrou trocas de WhatsApp, há inclusive membro do MP. Então...

– Acredito que o André vai voltar ao cargo. Sobre candidaturas o PSD decidirá mais adiante, com base em pesquisas. Hoje a preocupação maior é com o enfrentamento dessa crise do coronavírus e toda a recessão econômica que trará – conclui.

Ao fim, Maninho e André, na relação com o bajulado de turno, Russinho, parecem adeptos daquela máxima millôriana: "faça ao outros aquilo que eles não querem que você lhes faça, antes que eles te façam aquilo que você não quer que eles te façam".

Andrezinho segue evitando entrevistas, como já tratei em Silêncio é pena capital para prefeito afastado em Viamão; o herói incômodo.

Bonatto deve estar feliz na quarentena.

A seguir assim, parado ganha a eleição.

 

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