O mundo de Alice | Uma carta aos meus velhos amigos

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IMAGEM: Alta/Divulgação

Nesta semana compartilho com vocês um texto antigo, porém que nunca esteve tão atual. Reproduzo, com objetivo de conscientização à causa, material que obteve o terceiro lugar em concurso cultural sobre a preservação do Lago Tarumã.
Segue, abaixo, na íntegra.

Com amor – e preocupação ambiental -, Alice!

 

Escrevo esta carta com urgência. Como um último suspiro ou mesmo um grito de dor, para os que estão me lendo e para aqueles que vislumbram as minhas águas: Eu estou aqui!

Ferido, maltratado e um pouco assombrado pelos últimos anos e meses, mas estou vivo. Já tive outras cores mais límpidas, já fui mais convidativo, já tive outra aparência. E muito embora eu sinta falta desse tempo, não me ressinto do que passou, pois tenho esperança de que o melhor está por vir.

Penso nos dias ensolarados que presenciei, as crianças que na minha volta brincaram e as famílias que vi passar. Penso no sorriso dos jovens casais, vislumbrando a minha grandeza e contemplando o que havia de belo em mim. Embora muito cansado de lutar, sinto-me forte, porque minhas águas sobrevivem para contar essas histórias. Ainda estou aqui.

Ainda estou aqui para dizer que me dói o descaso, e que meu coração está doente. Não sou de fazer drama, tampouco quero me lamentar, sou esse elemento resiliente. Todo o meu corpo é água

Contudo, é inegável, minha vida está por um fio. Ainda assim, sou feliz. Sou feliz por viver aqui, nessa cidade repleta de campos verdes e rostos familiares. E se grito, é porque ainda tenho voz. E se posso desabafar, é porque ainda existem aqueles que me escutam.

Se lembro dos dias felizes que vivi nessa cidade, é com uma nostalgia que emana gratidão. Se lembro dos dias felizes que ainda terei, é com a fé que me resta nos cidadãos que desejam me ver reluzente outra vez.

Nasci para ser grande, meu destino é encher os olhos de quem me vê. Sou nobre, minha cidade é nobre, a natureza me fez assim e não posso desistir tão fácil.

Hoje meu desejo é continuar existindo, pois ainda tenho muitas cenas belas para presenciar. Que lindos eram aqueles dias em que ao meu redor havia música, pessoas alegres e um Sol que me aquecia por dentro. Tenho visto tanto lixo e sombra, que meus olhos estão se desacostumando com a beleza da vida.

Ainda assim, não me entrego! Pois é em momentos como este, em que sei que estou sendo ouvido e visto novamente, que minha voz se ergue e sinto que minha história está longe do fim.

Para os que chegaram até aqui, agora posso me apresentar. Sou o Lago Tarumã, e ainda que não sejamos íntimos, sei que você me conhece bem. Pensei que não soaria tão dramático quanto deixei transparecer neste relato, acontece que tenho passado por um período difícil, minhas palavras são sinceras e meu pedido é urgente: não me deixem morrer!

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