Ana D´Avila | Emergência

Quando a necessidade de vida é maior do que uma dor, chama-se o Samu. Dentro do carro, pessoas treinadas para o socorro. Depois, direto para a emergência do hospital. Ali, quem pensa que uma ardência na pele é problema, engana-se. Ainda não viu tudo. As emergências são salas de sofrimento. De dores quase insuportáveis. De urros. De desespero.

Enfermeiras deslocam-se e estressam-se. Médicos paramentados não medem esforços para tudo resolver. Cada pessoa que chega tem problemas diferentes. Mas todos buscam a cura. Todos querem parar de sofrer. Querem viver. Quando o apito da ambulância chega à emergência, a correria começa. Todos se movimentam. Desde o porteiro que abre a porta até à e quipe do plantão médico.

Após entrar na emergência, um a um vão sendo atendidos com prioridade para casos graves. Tem pessoas de todas as idades. Velhos de mais de oitenta anos e adolescentes de doze anos. Todos sofrem.Todos recebem apoio para deitar nas macas, que em primeiro estágio são disponibilizadas na mesma sala. Vão para a triagem. Cada caso é especifico. Sem contar os problemas da atual pandemia.

Uma senhora necessita de uma tomografia. Caiu e bateu com a cabeça. Um senhor tem infecção urinária. O menino adolescente vomita e tem febre. Um rapaz sofreu um acidente de moto. Tem a perna quebrada e grita de dor. Provavelmente vão engessar. Cada pessoa que chega tem os olhos assustados. Por seu problema e por ver o dos outros.

Uma lição é aprendida. Ninguém passa pela emergência sem recolher um grande aprendizado. O destes tempos bicudos, é agradecer por estar vivo. É dar vivas à saúde. E não lamentar jamais as coisas banais da vida como desejos mundanos e consumismos.

 A dor é o maior sofrimento do ser humano. Com ela somos animais feridos. Com ela urramos. Com ela nada mais tem sentido. Que a cura espiritual chegue junto com a cura física. E transforme em luz estes momentos de escuridão.

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