Mês de festas

Acordou com muita sede. Sede de vida. Sede de festas. Era dezembro. A família vivia bons momentos de felicidade. O ano quase findara. Todos estavam saudáveis .Existe glória maior do que viver  saudável? De resto, confusões da mente. Vontades e desafios. Encima da mesa, um tarô cigano. Dava para perceber a cromoterapia dele. A sua cor. A sua confecção. As suas expressivas lâminas. E acima de tudo, as respostas das inquietações humanas que ele apontava.

Uma toalha esotérica cobria a mesa. Um incenso de canela dava um ar místico ao ambiente. Como seria o próximo ano? O que 2020 nos reservava ? Para Adélia, seu País e para o mundo. Mas por ora, era quase Natal. A Igreja Católica e seus fiéis festejando o Nascimento de Jesus. E a Coca-Cola, inventora do Papai-Noel, continuava incentivando o comércio. Um velho bonzinho  retribuindo presentes para crianças e adultos de bom comportamento. Muitos teatralizam tanto que acabavam quase acreditando na estória.

Nas ruas, o capitalismo se expande. No comércio, nos bancos e no desejo de todos de se presentearem. Observo a movimentação. Observo as luzes e os ornamentos natalinos. Tudo brilha. Tudo são sorrisos .Mas não é sempre assim.Há desavenças familiares. Há invejas, há sofrimentos e há carências. Afetivas e financeiras.

Adélia tem um tarô. Tem sensibilidade e espiritualidade. Para cada dúvida da vida, ela consulta-o. Muitas vezes a intuição se aguça e ela consegue enxergar e direcionar caminhos.

Prevê destinos. Acerta. O tarô é sua força. Sua válvula de escape. Não que não seja verdadeiro. Ele é. E muitas vezes, na bifurcação da existência, ele funciona como uma espécie de visão certeira. No meio da cegueira humana e do esquecimento de que somos corpo e também alma. Adélia é  sensitiva e faz suas previsões para o Ano Novo.Muitos anos já se passaram.Muitas previsões.

Usa cromoterapia e sinaliza que a melhor cor para passar o Ano Novo continua sendo o branco. E faz previsões normais para vidas atípicas. Já na próxima semana, haverá comemoração. Será Natal. E com a data, confraternizações de cristãos de todo Planeta. O incenso pouco a pouco se esvai ao vento. No balanço da cortina que protege sua janela. Adélia está harmônica. Aguarda as festas. Que se repetem ano após ano. Quase sempre com as boas vibrações  de  seu colorido oráculo. (Ana D´Avila)

Área de anexos

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Cachorro e Cuia

Nesta cidade praiana o comum eram cachorros e cuias. Não dá pra dizer que não era umacidade sonho gaúcho. Era. Outono,quase inverno,e as poucas pessoas que circulavam na ruatinham este

Leia mais »

As Loucas da Anistia

De 1964 até 1985 o Brasil viveu o flagelo da Ditadura Militar. Quem acompanhou de perto aquele período da vida política brasileira não deixou de se revoltar. Pessoas eram torturadas,

Leia mais »

A elegante senhora de lupa

O clima naquela tarde estava quente. Era novembro. Gente civilizada num bairro chique da cidade lotava o super mercado. Carrinhos de compras para lá, carrinhos para cá. De repente, próxima

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook