Revivendo Natais do passado chego a conclusão que é uma data memorável. Esquecer os da infância é quase impossível. Os da adolescência e os da fase adulta uma lembrança inesquecível.
Lembro da casa de meus pais. Levei tempo para entender o porque do meu pai ser tão arredio nesta data. Perdeu a mãe em criança. Talvez sentisse falta do carinho materno e nunca se entregou abertamente aos festejos natalinos.Faltava amor de mãe naquela data.Faltava o amor-primeiro.
Então no dia 25 todo ano, meu pai se apagava. Ia para o seu quarto e não queria nenhuma comemoração. Eu, minha mãe e meus dois irmãos fazíamos a festa num pequeno jantar, seguido da entrega dos presentes e de nossas rezas para Jesus.
Éramos assim. A festa só mudava quando aparecia por lá um irmão da minha mãe. O tio Joãozinho. Ele se caracterizava de Papai-Noel e nos alegrava bastante.Recebia até as vizinhas da minha mãe, que num “Oh oh oh”davam boas risadas com o desempenho do bom velhinho.
Naquele tempo não existia tanta preocupação com o meio ambiente e surgiam nas praças de nosso bairro, uns comerciantes de árvores de Natal. Eram pinheiros de verdade.A maioria deles vinham da serra para a Capital.E que maravilha de pinheiros! Verdinhos e de todos tamanhos. O da minha casa eram os menores.
Hoje meu Natal é mais simples ainda e saudoso. Eternamente saudade. Meus pais não se encontram mais neste mundo nem meu tio Joãozinho.Eu relembro meu pai que nesta época entrava em depressão. Apesar de não ter mais eles perto de mim, sinto uma sintonia eterna com o nascimento de Jesus. De ter saúde e saber que a vida é festa. Pelo menos nos fins de ano é. (Ana D´Avila)





