Cachorro e Cuia

Nesta cidade praiana o comum eram cachorros e cuias. Não dá pra dizer que não era uma
cidade sonho gaúcho. Era. Outono,quase inverno,e as poucas pessoas que circulavam na rua
tinham este perfil. Eram senhoras grisalhas, homens da terceira idade e uns poucos jovens
perdidos do mar. Todos indistintamente, caminhavam com seus cães e paravam para sorver o
chimarrão.

Na praça em frente, os cães defecavam.Nos bancos da praça, minutos para tomar chimarrão.E
assim o dia ia passando, tão lento quanto o caminhar de cães na faixa dos quinze anos de
idade. Pois os cachorros agora tem vida longa. Sei lá,talvez seja pela proximidade com o ar,
pelo ar da praia, cheio de maresia. As pessoas são mais calmas do que em cidades- capitais.
Mas dispunham de poucas opções culturais e empresariais.

Os Governos daqui vivem basicamente do turismo. E quem lucra, são os hotéis, as pizzarias e
os quiosque e restaurantes. Estes serviços são caros.No verão o movimento é mais intenso. No
inverno a atração central quase sempre são as ressacas marítimas. O pessoal corre para
fotografar e ver a extensão do mar subindo pelas calçadas. Existem ainda, escolas de teatro e
artes plásticas no Centro Cultural do balneário. O que de certa forma, é uma boa direção.
No mais, apreciar o sol das manhãs e o barulho do mar provocando um sono reparador. Em
termos de comércio, existem bons supermercados e inúmeras farmácias.Um hospital bem
aparelhado que atende ricos e pobres.A medicina praticada aqui resolve todos problemas
procurados. Já existem clinicas de especializações, inclusive estética.As mulheres que vivem
aqui são oriundas de cidades pólos, muitas aposentadas. Os homens também, aposentados e
amantes do mar.

Na pele todos tem cicatrizes do sol.Bom para os dermatologistas locais. Depois num dia
diferente levanta uma densa neblina do mar fazendo os esotéricos vibrarem de emoção. Aí
vem talvez, a resposta para todos as inquietações dos que aqui vivem. Alguns entregues a
vícios nada construtivos. Como o álcool e a cannabis. Que entorpece. Que tira o cérebro de
circulação. Nesta pequena cidade gaúcha do litoral norte cheia de cachorros e cuias de
chimarrão. (Ana D´Avila)

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