A Páscoa e o Jorge Amado

Era domingo de Páscoa. De um ano conturbado. Cheio de violências no mundo. Guerras e atrocidades. Enfim, algumas pessoas ainda lembravam de Deus. Um senhor com suas armas letais ameaçava países mais pobres e indefesos.

Se considerava o dono do Planeta analisando seu poderio militar e a fraqueza dos outros. Se impunha, gesticulava e dava ordens. Quase ninguém o contrariava. Assim estavam todos vivendo, sob a ótica da violência e da prepotência.

No país tropical, os festejos eram de Páscoa. E um ator Baiano, como o escritor Jorge Amado, fazia bailados e gestos de pureza. Foi parar sob aplausos na rede social. Lembrava a ingenuidade dos brasileiros. Festejava a dádiva de ter nascido no Brasil. Dançava numa coreografia bem nacionalista. Era aplaudido e todos o amavam. Como Rui Barbosa, um grande gênio.

Júlia, que não era a francesa dos textos de Jorge Amado, circulava em seu apartamento. Olhou para o centro da sala e num esguio, se deparou com um livro. Do celebre escritor baiano, chamado “O país do Carnaval”. Ficou encantada. Quem teria esquecido esta obra em sua casa? Leu o prefácio e dois capítulos primeiros. Seja lá como for, se propôs a ler até o fim. O domingo transcorria sereno em plena comemoração católica.

Na rede social Julia recebia votos de uma Feliz Páscoa. E agora como mágica, também um livro. Que prometeu ler até o fim, já que se tratava de um excelente texto literário de Jorge Amado. O coelhinho da Pascoa talvez, tenha esquecido de lhe trazer uma cestinha cheia de ovos de chocolate. Mas o mistério da vida, a contemplou com um livro. Maravilhoso livro que a fez sentir a delicadeza de palavras bem estruturadas. Seu cérebro agradeceu. (Ana D´Avila)

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