Adeus, Verissimo!

A partir da esquerda, jornalista Célia Ribeiro, minha filha Ana Paula Fonseca, jornalista Ney Gauland Fonseca e, sentado, o escritor Luis Fernando Verissimo. Foto: Arquivo pessoal/Ana D'Ávila

Luís Fernando Verissimo se foi no sábado dia 30 em Porto Alegre. Sua trajetória na literatura foi um êxito. Dificil esquecê-lo, difícil esquecer sua obra.

Há muito tempo, por volta de 1981, li e reli seu livro “O Analista de  Bagé” e simplesmente amei. Ele colocava nos textos mais que inteligência, colocava humor em sua alma de criação.

Personagens maravilhosos povoavam seu intelecto. E era uma delícia lê-lo. Agora Porto Alegre está mais triste. E todos que o conheceram estão comovidos com sua morte. Eu estou.

Num verão abrasador tive a oportunidade de ser apresentada a ele. Foi na praia de Torres. Sua figura era enigmática, como todo escritor deve ser. Calmo, silencioso, não falava pelos cotovelos. Era um observador. Adorei sua figura. E entendi seu silêncio.

Registrei este encontro numa fotografia, que hoje está amarelada pelos anos idos. Cheguei a conhecê-lo através de meu marido, jornalista Ney Gauland Fonseca.

Foi um encontro muito prazeroso. Apesar de Verissimo se manter calado durante quase todo tempo. Veríssimo estava acompanhado da jornalista Célia Ribeiro. O lugar bastante aprazível e a presença de Veríssimo tornou aquele final de semana inesquecível.

Suas crônicas eram povoadas de humor. Ele foi também tradutor, jornalista, roteirista de programas para a televisão e músico. Filho do escritor Érico Verissimo, nasceu em Porto Alegre no dia 26 de setembro de 1936.

Verissimo viveu parte de sua infância nos Estados Unidos, época em que seu pai lecionou literatura brasileira nas Universidades de Berkeley e Oakland, entre 1941 e 1945.

Ele cursou o primário em São Francisco e Los Angeles. Em 1953 a família voltou aos Estados Unidos quando seu pai assumiu a direção do Departamento Cultural da União Pan-Americana em Washington, e só retornaram ao Brasil em 1956.

Nos Estados Unidos, Verissimo estudou no Roosevelt High School, em Washington, época em que desenvolveu o gosto pelo jazz, chegando a ter aulas de saxofone.

Em 2003, seu livro "Clube dos Anjos", na versão em inglês (The Club of Angels) foi escolhido pela New York Public Library, um dos 25 melhores livros do ano. Em 2004 recebeu o Prix Deus Oceans do Festival de Culturas Latinas de Biarritz, França.

Luis Fernando Verissimo, eternizado por nós, gaúchos, teve frases fantásticas de sua autoria. “Os tristes acham que o vento geme, os alegres acham que ele canta”, ou, “quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”.

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