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Alice Chala | Tentando amar: errados e errantes

Celebro muito a vida dos meus pais, primeiro porque eles são meus pais e isso já basta, e segundo, porque eles me deram todo o amor que eles tinham e podiam me dar. Um amor que muitas vezes nem eles receberam, mas que de alguma maneira, eles conseguiram transformar essa falta em um gesto de doação. Como doar o que não se tem? Soa como se do vazio pudesse brotar uma flor…Por isso que o amor é aprendido, é construído. E saber amar, também é construção.

 É admirável que seres humanos, mesmo quebrados, possam ajudar a juntar as pecinhas de outro alguém. É admirável que possamos nos esforçar para fazer nascer um amor que não recebemos, numa situação em que nem sabemos por onde começar tal empreitada… mas é admirável o ato de tentar, escolher tentar. E conseguir. As vezes somos amados por pessoas que não conheceram o amor antes de nós, mas que mesmo assim nos alcançaram com a graça dele. 

Pais e as mães são falhos, erram e continuarão errando. Mas, também é verdade que pertencer à categoria “pai e mãe”, não isenta ninguém das falhas inerentes à condição de simplesmente existir. Eu peço que um dia, eu também seja perdoada por todos os erros que cometi e que ainda cometerei, sendo alguém que está constantemente aprendendo a amar. 

Por isso, o amor é uma ação, como coloca lindamente a teórica feminista Bell Hooks, o amor é uma decisão e não apenas um desejo. É estar vazio e decidir dar o seu melhor, mesmo que o seu melhor seja um ato desajeitado e desprovido de adereços.

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