CLASSES SOCIAIS
A minoria
Fazia,
Acontecia,
Redigia,
Investia,
Infringia!
A maioria
Paria!
DESESPERO
Criação,
Opinião.
O que farei?
Não sei!
Julgo, oscilo
Arrepio!
E não faço nada!
Criação,
Chega não chega,
Verso e reverso!
Ontem passou a lua
No céu estrelado
E eu não vi
Nem senti
Só programei o verso
Que não se completou
Que não sarou
Minha dor de criação
E também de opinião
Que está diluída…
Em pensamentos outros.
E, no meu rosto
Só nostalgia
Numa falsa alegria
Que nem é minha!!!
DOÇURA
Estranha atração!
Sons de verão
Sol e Lua
Sal e Mel
Estranha sensação!
Na manhã sabor
Maçã verde!
Doce! Muito doce!
ESPERA AFLITA
Quando as horas
Da cidade te engolem
Eu mergulho na aflição.
Sem contato
Meu tempo não respira.
Nada mais tem sentido.
Quando não te localizo
Minha vida estaciona
Fico imobilizada
Depois tua voz me acalma.
Vem o êxtase da
Espera vencida
Você para mim…
É como cantiga de ninar,
Preciso te ouvir
Para depois dormir…
Preciso te sentir
Para poder viver…
EU FÚTIL
Tenho andado tão triste
nesta minha sina de louca!
Nesta minha, cisma de tudo.
Tenho andado tão triste
nem penso mais no espírito.
Só me envolvo com cifrões, confusões
que nada me dizem.
Que pouco a pouco, se vão.
Se decompõem, se findam.
Meu Deus! Que sina!
Que cisma! Que peso que fica em mim.
Que futilidade viver assim!
LACRE
A boca não mais falava.
Não comia.
Kafkaniana…
Não mostrava dentes,
Se foi…
Com a noite e
O vento triste…
Pintada e lacrada
Num baton carmim…
LUA DE MEL
A noiva
Tão branca e tão seda
Abandonou a lua-de-mel.
O noivo
Tão rico e tão ereto
Esqueceu a cama do hotel
O mel…
Agora é fel.
NÃO MAIS !
Estou farta de
Esperar por tudo.
Vou sair pelo mundo,
Fazendo uma
Reforma social!
POEMA DO MEIO-DIA
Sonho
Entre o vermelho dos cravos
Mistério,
Retorno à realidade.
Ode e paixão
Segredo e saudade
Neste meio-dia suado,
Fonte inesgotável
Prazer
E, luminosidade.
Elos passados
Infinito e verdade.
Somos sangue, veias e espasmos,
Quase…iguais,
Neste mar incessante de vida.
PORTA
Fechada,
abreviada
em desvios
e caos…
A porta,
entrada e
saída,
de dores e
amores…
que se dão…
que se vão…
no doce e raro
prazer da vida!
PRISÃO NO MAR
Me sinto como um peixe
Debatendo-se numa rede.
Todos os esforços conduzem
À liberdade.
Mas ela é quase inatingível.
Aprisionam vidas. jamais almas.
Estas, navegam em versos.
Ninguém ousa trancafiá-las, geri-las ou
Amedrontá-las.
São livres, fortes e vigorosas.
Me sinto como um peixe,
Que embora preso,
Continua vivo.
SAUDADE GAÚCHA
Saudade do pampa
das árvores
do chimarrão
dos encantamentos
do alecrim das bruxas
dos cachorros em correria
dos haras
dos sítios com cheiro de limao
dos amigos, das amigas
das cantorias
dos entreveros…
saudade do pampa
do vento na pitangueira
dum tempo que já se foi…



