Ana D´Avila | Saudades

No vazio de um sábado de inverno muitas lembranças rondavam o cérebro de Maria Lúcia. Uma delas era da Escolinha Dr.Edmundo Gardolinski onde ela iniciou seus estudos primários. Existia uma matéria chamada “Trabalhos Manuais”. Ali entre serrinhas para cortar madeiras e linhas de costura, o tempo voava. Dos trabalhos, muita produção era feita. Os alunos ainda não haviam decidido que carreiras tomariam na  vida.

Aquilo tudo precedia o Jardim de Infância e despertava em toda a classe a simpatia pelas Artes Plásticas.Quer no sentido de criação, quer na decisão de uma posterior carreira profissional.

O material que utilizavam era carregado em pastas de couro que tinha um cheiro marcante.De vez em quando, nas lembranças dela, este cheiro  característico surgia num relance.E o tempo transcorria. E a vida passava.

Tao acelerada que não havia tempo para nada. Só para navegar em lembranças diluídas pela idade. Que  acompanhava seus passos atrevidos e sua mente povoada de ideias. Uma delas, seria a de levar adiante uma profissão. A tentativa seria as Artes Plásticas.

Maria costumava passar as férias escolares num velho casarão colonial onde seu avó paterno morava. A cidade era São Jeronimo no Rio Grande do Sul e lá acompanhou de perto a vida estrutural e arquitetônica do então, pequeno vilarejo. Por ali, muitas festas religiosas e cortejos saídos diretos da Igreja Matriz.Que também mantinha estrutura colonial.

 A população da cidadezinha era pequena. Todos se conheciam e viviam em harmonia.Familias se uniam em casamentos combinados e mantinham um parentesco saudável. As primas eram muitas. Familias eram criadas quase que, com o mesmo sangue e aptidões.

Maria agora, vivia em lojas de materiais de pintura. Em sua mente, a decisão: Sua carreira profissional giraria em torno  das Artes Plásticas.Sua temática: O casarão do avó e outros tantos prédios encontrados por ali.O fato estranho de seus trabalhos é que ela não desenhava nenhum ser humano. Contentando-se com os prédios, o céu e os casarões. Por que disto. Ninguém sabia.

Enquanto anualmente realizava um concorrido vernissagen para amigos e simpatizantes em cidades maiores do que a que lhe causou a inspiração.(Ana D´Avila)

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