A comunidade da Região de Águas Claras, segundo distrito de Viamão, promoveu uma manifestação pública no sábado, 19 de julho, em frente à sede da Associação de Moradores de Águas Claras, contra a instalação de poços profundos para retirada de recursos hídricos da Bacia de Águas Claras. A ação é conduzida pela empresa Aegea/Corsan, que já instalou seis poços e prevê a perfuração de mais 20, com vazão entre 550 a 990 litros por segundo — o que representa entre 47 e 75 milhões de litros por dia. Esse volume seria equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 45 mil poços residenciais da comunidade local, estimada em 30 mil habitantes.
A empresa vem canalizando tubulações de 70 centímetros de diâmetro ao longo da Estrada Passo do Vigário, atravessando a RS-040, sem respeitar árvores nativas, animais silvestres e, segundo denúncias, escavando inclusive a área de um antigo cemitério indígena infantil. A captação ocorre dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Banhado Grande — uma região de alta fragilidade ecológica, que abriga o Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, o Banhado das Águas Claras, o Banhado do Chico Lomã, Banhado das Lombas e o Banhado do Gravataí, todos localizados na mesma bacia hidrográfica.
A mobilização se deu em meio à crescente preocupação com os impactos ambientais, econômicos e sociais da medida que, segundo os moradores, está sendo implementada sem estudos de impacto ambiental de longo prazo e sem diálogo com a população. A ausência de audiências públicas também é alvo de críticas. “Não fomos ouvidos. Estão mexendo com um recurso natural essencial, e precisamos de garantias de que não haverá danos ao nosso ecossistema e ao modo de vida das famílias que dependem dessa água”, afirmou um dos representantes da comunidade.
- Os manifestantes ainda defendem a retomada das obras da unidade de captação e tratamento de água em Itapuã, atualmente paralisada, como solução estrutural e definitiva para o abastecimento no município.
- Apesar da gravidade da situação e da localização dos poços em área de preservação ambiental, os órgãos estaduais de fiscalização permanecem omissos.


