Ela e a brisa

No calendário, a primavera já está estabelecida. Mas na realidade e no clima imprevisível, não. Fazia um razoável frio, apesar de já ser outubro. Uma leve garoa saía do mar e espalhava-se na areia da praia. Deve ser bom para oxigenar a pele e os pulmões. Ao longe lá vinha ela. A moça da praia com sua inseparável cachorrinha de estimação.

Chamava-se Maria Rosa. Tal qual a música do Lupiscinio Rodrigues. Uma Maria Rosa 2020.Turbinada, interneteira e moderna. Apesar do friozinho da manhã, ela vestia short. Jeans,
surrado. Bem desbotado. Um casaquinho de lã e tênis branco de sola grossa. O cão estava de colete. Destes comprados nos "pets" e que deixam os cães com ares civilizados. Era notório, o estilo
de ambos.

Maria Rosa portava uns fones nos ouvidos. Pelo semblante, deveria estar feliz. Era segunda-feira de uma semana pós-chuva. Contou que adorava estas caminhadas matutinas. Revigoravam seus músculos,apesar dos seus 40 e poucos anos. Quando ficasse mais velha, anexaria às caminhadas, algum exercício físico mais pesado. Como a musculação ou esporte radical.

Encantava-se com a agilidade dos surfistas que engoliam ondas a qualquer hora do dia. Numa ligação sempre mágica com seres espirituais da água salgada.Talvez pensasse também em praticar
surf. Sabendo que o mar do sul brasileiro é bravio. Que só os fortes se aventuram a enfrentá-lo. Sua cachorrinha neste momento, rompe a coleira e foge para a praia, em louca disparada.
Maria Rosa fica nervosa. Berra: "Brisa,Brisaaaa"! Es te era o nome daquela criaturinha arisca. Que, pelo jeito, não apreciava coleiras, nem percurso pré-marcado. A moça resgatou a Brisa. Depois de
seu rápido descuido.

Houve tempo da cachorrinha cheirar um bom trecho da areia. Assim como, bitucas de cigarro. E até um peixinho morto, que ela encontrou no local.Cachorros identificam tudo pelo sentido do faro. Daí, aqueles cães que trabalham para a polícia como farejadores. São especialistas no setor.
Depois da caminhada concluída, Maria Rosa acompanhada da Brisa senta-se no Quiosque à beira-mar. Pede uma água de cocô.  A garçonete atende o pedido e sugere alguns quitutes. Ela
degusta apenas a água de cocô.

E a Brisa late para um cão passante. A dona do cão passante não é Maria Rosa, não usa fones, nem bebe água de cocô. Viva gostos e diferenças! E viva, o arzinho puro deste oxigênio marítimo. Que entra pelos poros e pela vida da população que vive no litoral. Privilegiada população!

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