Entenda por que o Guaíba estabiliza e a enchente vai durar ainda muito

Imagem de satélite de hoje mostra o Guaíba ainda muito cheio | NASA

Recomendamos o relatório publicado pela MetSul, site especializado em clima, que tem um dos maiores índices de acerto nos eventos climáticos de junho, setembro, janeiro e na catástrofe deste abril


O nível do Guaíba apresentava sinais de estabilização nesta terça-feira depois de subir muito durante a segunda-feira. No começo da noite desta terça, a medição na régua do Cais Mauá indicava 5,22 metros, abaixo do pico superior a 5,30 metros do começo do mês. Por que o Guaíba estabiliza? Vazão e vento. O Guaíba iniciou trajetória de estabilização e que, entre esta quarta e quinta, passará a ser de recuo com algumas oscilações temporárias para cima e para baixo entre 5,20 metros e 5.30 metros. Isso porque o pico da vazão se dá neste momento e o vento Sul passou a soprar mais fraco.

A máxima vazão do Rio Taquari, segundo principal contribuinte do Guaíba, alcança Porto Alegre via de regra 24 horas a 30 horas após o pico em Lajeado. Como o máximo no vale foi na segunda ao amanhecer, o máximo da vazão do Taquari no delta do Jacuí foi ontem. Há ainda o Rio Jacuí, maior afluente, que, pelas imagens de satélite de hoje, estava muito alto em grande parte de sua extensão, até o Centro do Rio Grande do Sul. Sua vazão muito acima do normal manterá o Guaíba alto.

A MetSul prevê que as inundações na cidade de Porto Alegre, embora gradualmente menores, vão seguir ainda por muito tempo, possivelmente se estendendo ao começo de junho. A razão é simples: o nível está absurdamente alto. Os mais de 5,20 metros de ontem representavam ontem 3,20 metros acima da cota de cheia e 2,20 metros acima da cota de transbordamento. Valor é tão extremo – meio metro acima de 1941 – que não baixará para níveis inferiores aos de transbordamento tão cedo. Some-se a isso o fato de que ainda haverá dias com chuva nesta segunda metade do mês, os primeiros na quinta e na sexta; muitos dias no restante do mês terão vento Sul, o que gera represamento e contribui para manter o Guaíba elevado; e ainda o nível da Lagoa dos Patos está por demais elevado, o que vai se manter e torna o recuo muito mais lento.

A MetSul salienta que que, mesmo caindo abaixo da cota de transbordamento ou no final deste mês ou apenas em junho, haverá ainda áreas da cidade alagadas porque será preciso drenar a enorme quantidade de água que invadiu a zona urbana de Porto Alegre.

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