Diário teve acesso ao projeto funcional que daria base à duplicação da ERS-118 entre a BR-290 e a ERS-040 -- o trecho mais esquecido da rodovia
Há pouco mais de 20 anos, quando o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem -- o Daer -- tomou a decisão de duplicar a ERS-118, o trecho entre a BR-290 e a ERS-040 estava nos planos. Foi só depois que a rota entre Gravataí e Viamão caiu no esquecimento. Até 2013.
-- Fizemos uma série de audiências públicas e finalizamos o plano funcional da duplicação da rodovia.
A palavra é de Geraldinho Filho, por duas vezes diretor de Logística da Secretaria de Transportes do Governo do Estado na gestão de Tarso Genro, entre 2011 e 2014. Duas vezes porque, no meio do caminho, Geraldinho saiu para disputar a eleição à Prefeitura, vencida na ocasião por Valdir Bonatto, em 2012.
-- Quando voltei, estava tudo na mesma.
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COM VÍDEO | O trecho mais esquecido da ERS-118
"Na mesma" significa, já, um avanço: em 2010, o projeto funcional foi contratado junto a STE - Serviços Técnicos de Engenharia. O plano funcional é uma espécie de prévia do projeto executivo: nele, o engenheiro responsável define o traçado da rodovia, estuda o tráfego, prevê rotatórias, saídas de fluxo, viadutos e pontes.
No projeto executivo, cada uma dessas estruturas viárias é descrita e calculada, para se chegar a um custo e, então, licitar a obra.
-- O projeto funcional foi entregue à Secretaria de Infraestrutura em outubro de 2012. No ano seguinte, quando eu voltei para a diretoria de Logística, marcamos as audiências para discutir o impacto do projeto nas comunidades -- diz Geraldinho.
-- É estranho que, agora, o Daer diga que não tem nada sobre esse trecho da ERS-118.
A afirmação do Daer foi dada na reportagem que o Diário publicou há cerca de 10 dias -- aquela que fala sobre o trecho mais esquecido da ERS-118 e pode ser acessada clicando aqui.
Confira o vídeo feito no percurso da rodovia pela equipe do Diário:
Próximo passo era licitar a duplicação
De acordo com o projeto funcional para duplicação do trecho da ERS-118 entre Viamão e Gravataí, a rodovia teria uma conformação parecida coma da BR-101 no trecho entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
-- Foram pensadas grandes interseções parecidas com rotatórias pelo meio da pista para os retornos e não por fora, como no trecho de Gravataí para lá. Assim, não é preciso viadutos -- explica Geraldinho.
O único ponto onde um viaduto era previsto fica no entroncamento da rodovia com a José Garibaldi -- para quem deixa o Centro de Viamão em direção a Estalagem ou a ERS-118 mesmo.
-- E ali, aproveitando o aclive, não seria uma obra cara. A ideia é que o viaduto servisse a quem está na ERS-118 e, por baixo, passassem que atravessa pela José Garibaldi.
Ele reuniu moradores em Alvorada e Viamão -- uma das vezes, ali na igreja Santa Rita, perto do Autódromo do Tarumã. Três encontros depois e a equipe de engenharia da STE já tinha as mudanças reivindicadas pela comunidade no projeto funcional.
-- Daí para frente, era só licitar o projeto executivo e, depois, a obra -- confirma Geraldinho.
Mas, para o Daer, não há nada previsto para o trecho.
Mobilização é política
O atraso no trecho, para Geraldinho, tem a ver com uma única questão: política.
-- Nossa cidade não tem um deputado. Não tem quem faça pressão política para que a coisa saia.
O argumento de Geraldinho é simples: na hora em que o orçamento do Estado está sendo discutido na Assembleia, os deputados podem articular para que uma obra ganhe recursos ou acabe na gaveta.
-- Se tivéssemos alguém lá, já tinham licitado -- arrisca.

Geraldinho foi diretor de Logística da Secretaria de Infraestrutura ao lado de Beto Albuquerque





