Insônia

Um salto da cama, uma xícara de um imaginário café e lá se vão três horas da manhã.Na rua, silêncio amazônico. No mar, aquele ronco característico e ao redor, ventania. Já por conta de um outro provável e assustador ciclone. No condomínio, a paz esperada.

Sento na cadeira e penso. Na agenda de amanhã, nos efêmeros compromissos da sexta e na lista do super-mercado. Comer é necessário. Comprar comida também é. Diz uma guru que a partir de agora, devemos estocar comida. Estaria ela prevendo o apocalipse.

Esta inconstância e imprevisibilidade do clima me assusta. Os ciclones estão cada vez mais presentes e mais fortes.O vento agora, balança a janela. Parece ouvir minha constatação de medo. E ao longe, o mar brame mais forte.A Bíblia sempre descreveu o mar como um lugar de grandes tribulações.Neste momento, está sendo.

O apartamento onde me encontro é grande. Assim como meu desejo por dias melhores. Não me situo, não tenho paragens. Já morei em tantos lugares. Já dividi minha vida com loucos e atrevidos. E hoje, quero paz. Uma paz relativa. Antes, eu tinha diálogo com um artista. Hoje silencio e ouço um engenheiro-surfista me falar do mar. Concluo que sou feliz. Tenho estórias para contar e também sei ouvir.

A noite vai andando devagar e eu já sinto um pouquinho de sono se aproximando. Só lamento, não ter um café de verdade a minha disposição.Mas amanhã, por certo, terei. Graças a vida, a disposição para escrever e a todos os gostinhos e sabores dos cafés do mundo.(Ana D´Avila)

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