Jones: por quantos votos Temer vai escapar

Jones Martins com Michel Temer em jantar na noite desta terça, em Brasília

 

Um político norte-americano era considerado um oráculo do Congresso, por antecipar o resultado de votações e saber instantaneamente as estratégias mais secretas dos adversários. Quando morreu, o substituto descobriu o porquê. Da cadeira onde sentava, o congressista ouvia perfeitamente o que cochichavam os políticos a metros de distância, no outro lado da abóbada.

Por outros motivos, quando mais ou menos próximo dos governos FHC, Lula e Dilma, Eliseu Padilha sempre se notabilizou por saber valorar os humores dos congressistas brasileiros e antecipar com pequenas margens de erro placares de polêmicas votações na Câmara dos Deputados.

Algumas históricas, como privatizações, reformas previdenciária, trabalhista e a aprovação da reeleição, além do golpeachment.

Há minutos, inspirado no padrinho político, ministro chefe da poderosa Casa Civil e número 1 do governo Michel Temer, Jones Martins arriscou, ao ser desafiado pelo Diário, que a votação da denúncia contra o primeiro chefe da nação denunciado por crime comum terá por resultado 260 votos pelo arquivamento.

Para que o caso siga para o Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode culminar no afastamento do presidente eleito para ser vice, são necessários 342 votos dos 513 parlamentares. A sessão começou às 9h, mas a votação só pode começar com a presença de dois terços da Câmara (ou seja, com 342 deputados votantes).

Suplente, o deputado federal de Gravataí não vota, devido a ordem do governo para os ministros reassumirem os mandatos. Como fez Osmar Terra, ministro do Desenvolvimento Social e titular da cadeira que o advogado, ex-vereador e ex-secretário municipal ocupou até esta manhã no Congresso.

- O presidente explicou que tomou a decisão junto aos ministros para demonstrar a força do governo. E pediu para que eu fique pelo plenário, ajudando na articulação – conta Jones, que ouviu as palavras diretamente do próprio presidente, em jantar na noite desta terça na casa do vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho.

Nos bastidores, o motivo real comentado era o temor, no caso dos deputados gaúchos, do voto contrário a Temer de outro suplente do PMDB que estava no cargo: o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, que já tinha se rebelado na votação da reforma trabalhista.

Ao atender o Diário, em meio a longas e rápidas ligações e trocas de WhatsApps, Jones saía do Palácio do Planalto junto ao líder do PMDB Baleia Rossi, a quem agora já auxilia nas últimas conversas de plenário.

- Não são votos por Temer, mas pelo Brasil, que está voltando aos trilhos, com inflação controlada, a caminho das reformas e da retomada do crescimento econômico e emprego – resumiu, apressado, usando uma expressão que deve ser repetida por uma série de deputados governistas caso a votação aconteça nas próximas horas, com transmissão da Rede Globo.

É só clicar aqui para você acompanhar ao vivo desde agora o House of Cards que virou a aceitação ou não da denúncia de corrupção passiva apresentada pelo procurador geral da República Rodrigo Janot contra o presidente, após a delação feita à Operação Lava-Jato por Joesley Batista, o magnata caipira da JBS que espalhou o fedor de carne podre Brasília e Brasil afora, antes de embarcar de primeira classe para os Estados Unidos.

Já Jones, que mesmo concorrendo à reeleição em 2018 e candidato a prefeito de Gravataí em 2020 teve coragem de enfrentar até as câmeras do Jornal Nacional para defender seu partido e presidente, impopularidade de Temer à parte tatuou-se na lista dos fieis, no PMDB nacional, gaúcho e principalmente junto a Padilha, que ele e outros mais próximos chamam de ‘chefe’.

 

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