Marido louco

Efigênia era uma criatura anti-convencional.Começando por seu próprio nome. Não é comum
alguém chamar-se Efigênia. Mas ela até gostava deser chamada de Geninha, pelo seu finado marido
destrambelhado. Ele foi seu primeiro marido descompensado. Pintava telas e gostava de ficar nu quando a inspiração o encontrava.Colocava um imenso papelão na parede da sala do apartamento
e dava asas a imaginação. Desenhava com crayon siluetas das mulheres que ele havia amado durante os quarenta anos de sua existência.E muitos prédios da arquitetura colonial brasileira. Geninha achava cômica a figura dele. Ria muito. Ele se estimulava ingerindo imensas doses de cervejas. Quase sempre as de garrafas e que,em sua composição, contivessem aveia,centeio e trigo. Gostava de cervejas que o alimentassem. Dizia que a cerveja era um pão líquido, como os alemães definem. De tanto viver seu marido atéu, agora desejavamorrer. E já longevo enfrentou uma doença atípica.Nos rins. Aquilo foi enfraquecendo seu debilitado organismo e mais nenhum remédio existente o curava. Aos quase noventa anos se despediu da vida num quarto de hospital. Foi muito triste.Efigenia lembrava sua estória.Como o
conheceu, seus feitos, suas loucuras e teve certezaque tudo neste mundo tem um fim. Ficaram as loucuras e tudo que viveram juntos. Desde viagens, artes plásticas e comunicação. Uma
delas, bastante engraçada foi uma entrevista que o marido deu para uma emissora de rádio
portuguesa. Ele foi para a dita redação na cidade do Porto já bastante alcoolizado. Não respondia as
perguntas do jornalista que o entrevistou, mas fez os portugueses rirem contando várias facetas da
vida brasileira. Os ouvintes da dita rádio acho que não entenderam muito bem o que o artista
brasileiro queria expressar. De volta ao Brasil trabalhou muito divulgando os casarios de estilo português. Os vendia facilmente,pois tinham qualidade. Tanto de expressão como de feitura. As aquarelas eram confeccionadas com papel francês e as tintas acrílicas da Alemanha. Para Portugal , em contrapartida, levou inúmeros trabalhos da arquitetura colonial do Brasil para apreciação na Europa. Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia eram os principais estados que tiveram aquarelas representadas e reproduzidas. A exposição de suas obras aconteceu na cidade dFelgueiras com presença de varias autoridades. E foi sucesso apesar do artista, quase em coma alcoolico ,ter levado um tombo nas escadarias doprédio, onde aconteceu a exposição. Efigênia acredita que o amor nasce na loucura. Dizsempre, ao invés do “eu te amo”. A frase: “Você é a loucura que eu procurava”. Talvez na praticidade da vida, a loucura atrapalhe mas que sempre será divertido não resta dúvidas. Como dizia Charles Chaplin, um dia sem riso e divertimento na nossa existência ,é um dia perdido.(Ana D´Avila)

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